O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou um meio termo entre a estratégia de armar um palco político em São Bernardo do Campo após o prazo estabelecido pelo juiz Sérgio Moro para que se apresentasse à Polícia Federal em Curitiba e a decisão de se entregar, evitando dificultar sua situação perante a Justiça. É o que diz o diretor executivo de risco e analista-chefe do Eurasia Group, consultoria política Internacional, Christopher Garman. Segundo ele, tanto o evento em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos como a comunicação política feita por Lula neste sábado, 7, foram eficazes.

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Garman lembra que, apesar de não ter se apresentado na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba dentro do prazo estabelecido por Moro, Lula costurou um acordo para iniciar o cumprimento de sua pena, que deve começar neste sábado. O ex-presidente permaneceu desde quinta-feira à noite no Sindicato dos Metalúrgicos, seu berço político, e hoje falou pela primeira vez em público desde o mandado de prisão. O analista acrescenta que, no entanto, existia uma expectativa, principalmente entre os militantes do PT, de que Lula não se entregasse e esperasse prisão no sindicato, de forma a causar maior comoção ao público, o que não ocorreu. “Isso afundaria sua defesa jurídica. Apesar do discurso inflamado, Lula disse que aceitaria a decisão e buscou um meio termo”, disse.

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Com Lula preso, a capacidade de transferência de votos a outro candidato diminui. Garman reforça que a visão da Eurásia é de que a capacidade de transferência de votos por políticos costuma ser supervalorizada. Diante desse cenário, o diretor da Eurasia acredita que o pré-candidato do PDT à Presidência Ciro Gomes pode sair beneficiado e receber parte dos votos hoje concentrados no nome do ex-presidente Lula. “Ele poderia ganhar votos no Norte e Nordeste”, avalia.