As últimas projeções sobre a eleição para a Câmara dos Deputados reforçam a tendência de crescimento dos partidos de oposição de esquerda, na ordem de 30%, e uma perda das forças governistas de cerca de 13%. O que não altera significativamente a atual correlação de forças entre os dois grupos no Congresso para efeito de decisão nas votações. Mas aponta para uma real expansão dos partidos de esquerda no Legislativo.
De acordo com esses levantamentos, feito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep) com base em informações de consultores especializados nos Estados, os partidos chamados governistas e quase todos ainda hoje alinhados ao atual governo – PSDB, PMDB, PFL e PPB – deverão eleger, juntos, 300 deputados, contra as 347 cadeiras que conquistaram na Câmara na eleição de 1998. Isso significa uma queda de 13%.
O outro bloco – PT, PDT, PSB, PPS E PC DO B – que junta os partidos de esquerda, e que fazem oposição ao governo Fernando Henrique no Congresso, passarão de 112 deputados, eleitos pelo grupo na última eleição, para algo em torno de 145 agora. Um crescimento de 30%.
?Essa mudança política é irreversível. É mesmo uma tendência de crescimento dos partidos de esquerda. Não se trata de um movimento fugaz, mas de um movimento de expansão geral da esquerda?, afirma o jornalista e cientista político Walder de Goes, responsável pelos estudos do Ibep. Para ele, o crescimento deve-se antes de tudo, e naturalmente, ao desempenho do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição presidencial.
?Esse crescimento da esquerda no Congresso é irreversível e coincide com a indicação de que este mesmo grupo poderá eleger até 13 governadores de Estados?, completa Walder de Goes.
Pelas projeções feitas pelo Ibep, o partido que menos perde no bloco dos governistas é o PMDB, que deverá eleger praticamente o mesmo número deputados – 83 em 1998 e 82 agora. O PFL, que na última eleição conquistou 105 cadeiras na Câmara, deverá voltar com 94, mas ainda assim deverá assumir a condição de maior bancada. O PSDB elegeu 99 deputados em 1998 e a estimativa é de que só deverá conquistar este ano 80 cadeiras.
O PPB é outro partido que encolherá bastante, passando de 60 deputados eleitos nas últimas eleições para 45, segundo as previsões.
No bloco de esquerda, o maior crescimento será no partido de Ciro Gomes, o PPS, que elegeu três deputados em 1998 e agora poderá voltar com uma bancada de 18. O PT deverá passar de 59 para 70; o PSB, de 18 para 24; o PC do B de sete para 11; e o PDT deverá ficar mais ou menos igual.
No Senado, a distribuição partidária não sofrerá modificações de peso, de acordo com as pesquisas de intenções de votos, devendo o PMDB permanecer com a maior bancada.


