Depois de manifestações na PUC e na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a trinca histórica do movimento estudantil na Cidade de São Paulo completou-se nesta quarta-feira, 23, com um ato na Rua Maria Antônia, na Vila Buarque, no centro da Cidade. Entre o Mackenzie e o Centro Cultural Maria Antonia (que já foi prédio da Faculdade De Filosofia, Letras e Ciências Humanas) cerca de 300 estudantes se reuniram em apoio ao governo Dilma.

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A chuva impactou no número de manifestantes e rendeu a São Pedro uma acusação de ser tucano. A pecha de direitista continuou sendo grudada no Mackenzie – que foi acusado de não ceder o auditório para uma manifestação “contra o golpe”. Alunos da instituição que não participaram da manifestação preferiram chamar a universidade de apolítica e dizer que não podem “pagar pelos erros do passado”.

Por volta das 20h50, um grupo contrário ao movimento – que estava concentrado em frente a um bar ao lado do Mackenzie hostilizou a manifestação com gritos de “mortadela” e “PT ladrão”. Houve um princípio de empurra-empurra, que logo foi controlado. Uma bomba solitária foi ouvida na Maria Antonia. A confusão foi dispersada. Na frente do bar, um grupo afirmou que “também teria o direito de se manifestar”. Na sequência, esse mesmo grupo puxou o coro de “o PT acabou”. Imediatamente, ouviram a reação: “fascistas, fascistas”.

Outra bomba, provavelmente um morteiro foi jogado perto dos dois grupos. Outro princípio de confusão e bate-boca (discutindo sobre qual dos lados teria jogado a bomba). Até o momento, a polícia não interveio.

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Com menos de 500 metros de extensão, a Maria Antonia já foi palco de um dos capítulos mais definitivos da luta pela redemocratização. Nos dias 2 e 3 de outubro de 1968, uma briga entre alunos da USP e a direita do Mackenzie (representada pelo CCC – Comando Caça Comunistas) terminou em uma batalha campal, com o prédio da USP em chamas e a morte do estudante secundarista José Guimarães (lembrado na manifestação dessa terça-feira na PUC).

Entre os estudantes, um homem de 73 anos estava especialmente emocionado: Renato Martinelli. Ele estudou no Mackenzie entre 1965 e agosto de 1968, fez parte do grupo de esquerda da instituição que ganhou, inclusive, o centro acadêmico em 1967. ” Uma Manifestação aqui é algo histórico. É um elo entre o presente e o passado. É a prova que a história caminha, mas que precisamos estar atentos para que ela não caminhe para o lado errado”, fala Martinelli. Em agosto de 68, Martinelli trancou o curso de direito e precisou exilar-se por conta de suas “atividades subversivas”. “A gente espera que algo assim nunca mais aconteça no Brasil”, completa Martinelli.

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Outra testemunha da história da Maria Antonia esteve presente na manifestação, Américo Nicolatti. Representante da esquerda mackenzista, ele foi presidente de diretório acadêmico e vice do José Dirceu na UEE (União Estadual de Estudantes). “Eu não quero ser saudosista. Acho que a Maria Antonia sempre será um símbolo de luta pela democracia. É nessa rua que as coisas acontecem ou começam a acontecer “, disse Nicolatti.