O ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato de Curitiba, Sergio Moro – notório defensor da ideia de que condenados em segunda instância já devem começar a cumprir pena de prisão – disse nesta quinta-feira (24) esperar que o Supremo Tribunal Federal (STF) “tome a melhor decisão” no julgamento que trata do tema. O ministro falou em um evento em São Paulo na mesma hora em que a ministra do STF Rosa Weber – de quem ele já foi assessor – dava o voto tido como decisivo do assunto.

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Apesar de ser contrário ao modo mais demorado, Moro ressaltou em sua fala que o STF é uma instituição muito importante para o País e que a decisão que sair de lá deve ser cumprida. “A decisão tomada tem que ser respeitada”, defendeu, durante evento promovido pela revista The Economist. O ministro entrou e saiu do evento em um elevador privativo e não deu entrevistas.

Mais gente presa

Durante o evento Moro voltou a falar sobre a operação e, questionado sobre excessos e abusos supostamente cometidos ao longo das investigações, afirmou: “Eu sinceramente não vejo ali ninguém que tenha sido condenado injustamente. Não vi nada que não tenha observado o devido processo”.

Moro aproveitou para enaltecer os esforços da força-tarefa e declarou que houve uma queda na impunidade. “Se for pensar no tamanho do escândalo, mais gente devia ter sido preso e condenada”.

De surpresa

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Moro acabou surpreendido na sessão de perguntas e respostas do evento. Ele foi questionado por uma espectadora sobre se “não seriam mais definitivos os relatos do ministro” sobre medidas que levaram à queda da criminalidade se ele respondesse sobre “quem matou Marielle”. “As pessoas acham que o ministro da Justiça é um ‘Super Cop’ que resolve tudo. O ministro não é investigador e as investigações não estão na esfera do governo federal. É claro que o governo federal tem todo o interesse em elucidar esse crime importante, que envolveu uma pessoa importante”, disse Moro.

Confiança

Ex-Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, acredita que o povo acredita menos na justiça após Moro trocar o Tribunal pelo Ministério. Foto: Arquivo/Tribuna do Paraná

Cinco minutos depois que Moro deixou o evento, a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge disse que a decisão do ministro de deixar de ser juiz da Lava Jato para integrar o governo de Jair Bolsonaro impacta a confiança que a sociedade tem na Justiça.

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“Não sei dizer se foi uma boa ideia ou não, mas tem impacto na confiança que o cidadão tem na Justiça, no nível de confiança de diferentes setores da sociedade civil na Justiça”, afirmou.

Dodge participou de um painel de conversa com Oscar Vilhena, diretor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, e o advogado criminalista Fábio Tofic Simantob. Todos eles criticaram a decisão de Moro de virar ministro de Estado, visto que ele passou a integrar o governo do candidato que se beneficiou diretamente de condenações proferidas pelo ex-juiz.

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