No mesmo dia em que a equipe do governador Orlando Pessuti (PMDB) rebateu o diagnóstico do Estado elaborado pela transição do governador eleito Beto Richa (PSDB), os assessores do tucano divulgaram um relatório complementar em que apontam, em 24 itens, onde estariam os R$ 1,5 bilhão de “comprometimento orçamentário” do Estado.

Se, em alguns itens a equipe de transição de Beto chega a “forçar a barra” para alcançar os R$ 1,5 bilhão citados na terça-feira, como nos R$ 245 milhões para a ampliação da base orçamentária do Poder Judiciário e do Ministério Público, projeto da Assembleia Legislativa, aprovado com o voto dos parlamentares aliados a Beto, em outros, fica provado que o novo governo terá de fazer fortes ajustes.

“O orçamento do Samu (Sistema de Atendimento Médico de Urgência) era de R$ 26 milhões para este ano, foram gastos R$ 40 milhões e, para o ano que vem, estão previstos apenas R$ 4 milhões”, comentou o coordenador da equipe de Beto, Homero Giacomini.

“Estamos evitando juízo de valor, mas a situação é grave. Eles tiraram recurso da área da saúde, para cobrir outros setores, pois sabem que, de alguma forma, o novo governo terá de cobrir esse déficit na saúde. O novo governador não vai deixar o Samu parar de funcionar, vai ter que tirar recurso de algum lugar para manter o serviço, pode ter que adiar algum investimento, causando desgaste político”, analisou.

“Tem também a questão dos R$ 169 milhões de renúncia fiscal ao setor produtor de álcool. Pela lei de responsabilidade fiscal, no último ano de governo, ao abrir mão de uma fonte de receita, tem que indicar de onde viria a compensação, o que não foi feito”, acrescentou o secretário municipal de Finanças de Curitiba, Luiz Eduardo Sebastiani, também membro da equipe de transição.

“A informação mais preocupante deste relatório complementar é o fato de a nossa principal pergunta não ter sido respondida”, disse Sebastiani, que perguntou como está o fechamento contábil de 2010 do Estado, quais os restos a pagar e sua correspondência em caixa.

“Uma informação trivial, que nos foi respondida da seguinte maneira: ‘é um item complexo, que depende de muitos fatores, inclusive da posição do governador’. Estão dizendo literalmente que ainda terá o efeito de nova despesas e não há previsão de quanto a mais”, disse.

A equipe de Beto disse que, apesar das recentes trocas de farpas, ainda há clima para uma nova reunião com o grupo de transição do atual governo. “Estamos executando uma função pública, lidando com informações públicas. Nosso objetivo não é fazer alarde, é apurar a situação para buscar soluções. Claro que queremos nos reunir novamente com o pessoal do governo e tomara que eles nos provem que estamos equivocados com essas informações coletadas através de documentos”, disse Giacomini.