O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), em almoço fechado com 32 deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), ouviu na terça-feira, 17, reclamações contra ambientalistas, Ministério Público e setores do governo. Ao falar, citou a história dos sogros, que, segundo ele, tiveram as terras em Pinhalzinho, no oeste catarinense, ocupadas pelo Movimento Sem Terra (MST).

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Em entrevista logo depois, porém, Doria se esforçou para não entrar nas polêmicas ambientais e sociais do campo. “O debate ideológico não é útil para o meio ambiente, para moradores e para o setor produtivo”, afirmou.

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Ao ser questionado por jornalistas sobre a portaria do Ministério do Trabalho que dificulta a atuação dos fiscais que combatem o trabalho escravo, publicada anteontem, o prefeito passou a palavra para o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), que fez um discurso de defesa da medida. “Eu endosso plenamente as posições apresentadas pelo deputado Nilson Leitão, que é do nosso partido. A posição do deputado é a posição que eu endosso”, disse Doria após insistência dos jornalistas para falar sobre o tema.

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Rodeado de ruralistas, o prefeito defendeu a moderação no debate sobre redução de áreas ambientais, sem, no entanto, endossar a posição ruralista. “Eu sou moderado. O acirramento não é construtivo. É preciso equilíbrio e moderação para construirmos um novo País”, disse. Na entrevista, Doria afirmou que o setor do agronegócio está “maduro” e precisa de mais incentivos públicos.

O prefeito, que recebeu convite para jantar ontem no Palácio do Jaburu com o presidente Michel Temer, ao ser questionado sobre a crise política, disse que se trata de um problema “circunstancial”.

Na parte fechada do encontro, Doria repetiu que está “preparado” para o enfrentamento de ideias com o PT, afirmou que o partido “enterrou” e “prejudicou” a economia, e minimizou críticas a suas viagens pelo País.

Pedidos

A Doria, deputados ruralistas reclamaram da imprensa e da modelo Gisele Bündchen, que fez campanha nas redes sociais contra o fim da Reserva Nacional do Cobre, a Renca, que fica entre o Amapá e o Pará. “O senhor que é da área da comunicação, olhe o que a Gisele fez, o mundo inteiro está contra nós”, reclamou o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

Um dos pedidos surpreendeu o prefeito. A deputada mineira Raquel Muniz (PSD) pediu para ele mandar água para a região de Montes Claros. “Eu clamo ao senhor, na condição de prefeito de São Paulo, por água para o norte de Minas Gerais, que enfrenta estiagem”.

Também foram feitos pedidos para ele apoiar a exploração de diamantes em terras indígenas e apoio no governo Temer para o setor. Alceu Moreira (PMDB-RS) pediu que Doria entrasse na “luta” contra os “ambientaloides” e o movimento indígena. “Não tem nada de esquerda ou direita. O que há é o interesse dos americanos”, avaliou o parlamentar.

Deputados ruralistas também criticaram o governo que, segundo eles, podia fazer ainda mais pelo setor. “O governo só atrapalha”, disse a deputada Tereza Cristina (PSB-MS), no momento em que elogiava o “surgimento” de uma “nova liderança” como Doria. Ela ainda disparou contra os petistas. “O PT faz papel de bom moço no plenário na Câmara como se não tivesse responsabilidade sobre a situação atual.”

Deputados ouvidos pelo Estado avaliam como positiva a aproximação de Doria com o agronegócio e elogiaram a capacidade de “comunicação” do prefeito. Eles, no entanto, ressaltaram que o agronegócio tem uma relação “antiga” com Geraldo Alckmin, com quem almoçaram no começo do mês, e a quem definem como um “conhecedor” e um “interlocutor” da área. “Não trouxemos concorrentes para almoçar”, disse Leitão. “Trouxemos o prefeito da maior cidade do País e o governador”, afirmou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.