A decisão da Mesa Executiva de acatar os argumentos da bancada de oposição e rejeitar uma mensagem do governo que já havia sido aprovada em primeira, segunda e terceira discussões, criou um mal-estar entre o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PMDB), e a liderança do governo. Ontem, depois de o deputado Nereu Moura (PMDB) apresentar uma questão de ordem contestando a posição da Mesa e pedindo reconsideração sobre a aprovação à matéria que autoriza o governo a contratar servidores para trabalhos temporários, o líder do governo, Dobrandino da Silva (PMDB), fez um desabafo em que sugeriu ter sido levado a erro por Brandão.
Dobrandino disse que ficou "surpreso" com a decisão do tucano porque antes de iniciar a sessão consultou Brandão sobre a necessidade de ter quórum qualificado – 28 votos favoráveis – em plenário para começar a votação e recebeu a resposta de que não havia essa exigência. Segundo o líder do governo, Brandão mudou de opinião quando a bancada de oposição levantou a questão durante a sessão, em que os governistas estavam em 22 deputados.
A postura da Mesa desagradou ao peemedebista, que não poupou também os aliados e até o governador Roberto Requião (PMDB) de suas críticas. Dobrandino cobrou dos deputados aliados a presença em plenário, criticou os secretários e também o governador, que chamam os deputados para audiências e solenidades no horário das votações na Assembléia Legislativa. Na tarde de terça-feira, quando a oposição derrubou o projeto, o governador havia levado para uma atividade em Rio Negro os deputados Mário Bradock (PMDB) e Geraldo Cartário (PP).
"Antes de se ausentarem do plenário, os deputados devem conferir se há alguma matéria considerada prioritária para o governo. Não podemos ficar correndo atrás de deputados da base", atacou Dobrandino, citando que vai fazer uma lista dos aliados para entregar ao governador. E avisou que não estarão nela quem não comparecer às votações para ajudar a aprovar as matérias de interesse do governo.


