Presidente estadual do PMDB só quer
aliança com o PT no segundo turno.

O presidente do diretório regional do PMDB, deputado estadual Dobrandino da Silva, resolveu levantar a bandeira da candidatura própria do partido à Prefeitura de Curitiba.

Ao receber a carta do deputado estadual Rafael Greca comunicando que pretende disputar a indicação do partido para concorrer à sucessão municipal, Dobrandino abandonou sua posição de neutralidade e defendeu a necessidade de o partido disputar o primeiro turno da eleição com candidatura própria na capital, deixando a aliança com o PT para o segundo turno.

“O PMDB tem o governo estadual, é forte em Curitiba e a eleição é realizada em dois turnos”, justificou o dirigente peemedebista. Ele afirmou ainda que a tese da candidatura própria vem ganhando força no partido à medida que se aproxima a data da convenção – conforme o calendário eleitoral, as convenções devem ser realizadas em junho – e nas cidades onde os pré-candidatos peemedebistas têm densidade eleitoral. “A tese está crescendo e deverá prevalecer”, afirmou.

Dobrandino disse que não conhece a posição do governador Roberto Requião (PMDB) sobre a eleição em Curitiba. Requião sempre defendeu a reedição da aliança com o PT nos moldes daquela feita em 2002, quando foi eleito. Para o presidente estadual do PMDB, Requião deve se submeter à decisão do partido. “A opinião dele eu não sei. Sei da minha e da maioria do partido. Lá perto da convenção, nós fazemos uma pesquisa e se provarem que nosso candidato não tem viabilidade eleitoral… Mas se o partido decidir que tem candidato, o governador é um democrata, e com certeza, vai junto”, afirmou.

Liberados

O presidente estadual do partido disse que Greca e o deputado federal Gustavo Fruet estão “liberados” para fazer suas campanhas dentro do partido. Na carta que mandou para o diretório estadual, Greca pede para ser incluído na propaganda partidária no horário eleitoral gratuito e cita que a maioria dos peemedebistas prefere candidatura própria. “Para quem sabe fazer contas, no PMDB já se vê que a candidatura própria é defendida pela maioria”, disse.

Na carta, Greca fez referência ao encontro nacional do partido, que será realizado amanhã em São Paulo, onde será discutida a participação do PMDB nas eleições municipais. Ele e Gustavo Fruet pretendem ir a São Paulo defender a candidatura própria em Curitiba.

Vanhoni discorda da tese

O pré-candidato do PT a prefeito de Curitiba, deputado Ângelo Vanhoni, não concorda com o presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, quanto ao lançamento de candidaturas próprias no primeiro turno das eleições municipais. Lembrando que a questão de alianças está sob a responsabilidade do partido e não do candidato, ele diz que mantém sua posição em defesa de uma ampla aliança de oposição já no primeiro turno: “Continuo achando que é melhor as legendas que dão sustentação aos governos estadual e federal se unirem num projeto importante para Curitiba. A Prefeitura tem um ou dois candidatos e uma densidade eleitoral decorrente do comando da máquina administrativa. Isso não pode ser ignorado. Unida, a oposição pode apresentar uma candidatura forte para enfrentar o PFL e o PSDB”, pondera.

Para o líder do governo na Assembléia Legislativa, fragmentada em diversas candidaturas a oposição favorece “a candidatura da manutenção do grupo dominante”. Vanhoni lembra que o grupo lernista governa Curitiba há quase trinta anos, com as interrupções determinadas pelos três anos de gestão de Maurício Fruet (PMDB) e os quatro de Roberto Requião (PMDB), na década de 80. (Sandra Cantarin Pacheco)

Partido empossa comissões regionais

A comissão executiva do PMDB vai empossar todos os membros das 22 comissões microrregionais do partido no Estado na próxima segunda-feira (dia 8), em Curitiba. Os coordenadores foram escolhidos depois de serem ouvidas as principais lideranças políticas de cada região. A intenção do partido, com esse processo, é democratizar a escolha das lideranças e dirigentes da legenda. “Reunimos os nomes mais significativos do partido, todos com capacidade de articulação e potencial eleitoral para que o PMDB faça uma grande bancada de vereadores e um grande número de prefeitos nas próximas eleições”, diz o presidente do partido, deputado estadual Dobrandino Gustavo da Silva.

Segundo o secretário-geral do PMDB, Luiz Cláudio Romanelli, no dia 20 de março, os coordenadores realizarão em cada microrregião um encontro para discutir a situação do partido em cada município. “Nesta reunião, vamos fazer um mapeamento da situação eleitoral em cada município, identificar localidades onde há fragilidades e definir estratégias para superar as dificuldades. Além disso, daremos início aos trabalhos para definição da linha de ação na campanha eleitoral e da formação de nossos candidatos”, explica.

Em cada região, haverá uma coordenação, integrada por no mínimo três e no máximo cinco lideranças. Elas terão a tarefa de aglutinar outras lideranças para fortalecer o partido, debater as questões da região, elaborar propostas e coordenar as ações da campanha eleitoral. Em maio, o partido vai realizar um encontro estadual, em Foz do Iguaçu, com a presença de candidatos a prefeito, a vereador, deputados e todas as lideranças representativas, para discutir em profundidade as estratégias para a eleição.

A intenção do encontro é debater as eleições, com palestras sobre legislação eleitoral, propaganda e marketing e afinar o discurso. “Queremos ter um discurso homogêneo, para que nossos candidatos estejam sintonizados e afinados com a administração estadual”, diz Romanelli.

O partido pretende lançar candidato próprio a prefeito em todos os municípios onde possui diretórios.