Dobrandino: “Programa deveria ser mais aberto”.

O presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, disse que foi “censurado” no programa estadual do partido exibido anteontem à noite no horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e TV.

Dobrandino reclamou que, na edição final do programa, foram cortadas do seu depoimento as declarações em que defendia o lançamento de candidaturas próprias para disputar as prefeituras em todo o Estado. O tema divide o partido, principalmente em Curitiba, onde o diretório municipal defende a aliança com o PT.

Outros deputados também criticaram o programa, produzido pelo publicitário peemedebista Almir Feijó. Eles se consideraram excluídos do horário que foi destinado a um balanço de governo, com a participação do governador Roberto Requião e de alguns poucos secretários de Estado, entre eles, o da Segurança, Luiz Fernando Delazari, que teve uma participação expressiva nos vinte minutos totais do programa.

“Governo é governo. Partido é partido. O governo é efêmero. O partido é perene”, avaliou o deputado Mário Bradock. Ele observou que, além de não mostrar os deputados estaduais do partido – o único que apareceu numa pequena participação foi o deputado federal Gustavo Fruet – o programa também privilegiou secretários da área técnica, como Cláudio Xavier da Saúde e Luiz Cláudio Romanelli, da Habitação.

Bradock condenou ainda, fato de a administração peemedebista ter sido apresentada por integrantes do próprio governo. “Onde é que já se viu o próprio governo elogiar o governo. Quem tinha de falar sobre as ações do governo deveriam ser os deputados do partido, não os secretários. É a mesma coisa que eu chegar em frente ao espelho e começar a dizer como sou lindo, eficiente e tal. Eles fizeram auto-elogios e ao mesmo tempo cometeram autofagia”, ironizou Bradock.

Dobrandino disse que não vai formalizar seu protesto. “O fato de tirarem minha declaração não é o mais importante até porque o Paraná inteiro sabe que o PMDB quer candidatura própria. E todo mundo sabe qual é a minha posição. Quem quer fazer essa fusão ou confusão é minoria no partido”, disse o dirigente estadual. Ele gravou sua participação no programa no intervalo do encontro estadual do PMDB, realizado na semana passada, em Foz do Iguaçu.

O presidente estadual do partido afirmou que havia pedido ao governador um espaço para mostrar os pré-candidatos a prefeito do partido em alguns colégios eleitorais importantes. “O programa deveria ser mais aberto a todo o partido. Deveria pelo menos mostrar gente mais conhecida do governo, como o vice-governador Orlando Pessuti. O Delazari é um secretário técnico. Quem é que sabe quem é ele?”, provocou.

Silêncio

O Palácio Iguaçu não quis comentar as críticas dos deputados.