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Alvaro Dias: senador voltou a ser cogitado para o governo.

Oscilando entre o lançamento da candidatura própria ao governo do Estado e aliança com o PMDB no Paraná para as eleições de outubro, o PSDB do Paraná busca hoje uma orientação da direção nacional do partido, em Brasília, para decidir como se posicionar, a dez dias do vencimento do prazo final das convenções partidárias.

O presidente do diretório estadual, Valdir Rossoni, conversa hoje com o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, sobre o dilema tucano no Estado, que ainda espera uma resposta do senador Osmar Dias (PDT) sobre a candidatura ao governo do Estado. O encontro é tido como decisivo para o destino do PSDB nesta eleição.

A fissura do partido se consolidou em reunião realizada na noite da última segunda-feira, quando as principais lideranças se juntaram para discutir o quadro local, depois do anúncio do lançamento da candidatura do Cristóvam Buarque à presidência da República, considerado a pá de cal na coligação tucana com o PDT em torno da candidatura do senador Osmar Dias ao governo.

 
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Beto Richa: prefeito disse que apóia uma candidatura própria.

Na reunião, Rossoni, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, o senador Alvaro Dias e os deputados federais defenderam a candidatura própria ao Palácio Iguaçu. Do outro lado da mesa, o presidente da Assembléia Legislativa e vice-presidente estadual do PSDB, Hermas Brandão, e a bancada estadual (menos o deputado Ademar Traiano) advogaram a aliança com o PMDB. A proposta de apoio à reeleição do governador Roberto Requião resultaria na indicação de Brandão para a vaga de candidato a vice-governador. "Ficou sete de cada lado", descreveu Rossoni.

Tempo

O presidente estadual do partido afirmou que a visão da direção nacional sobre o processo estadual será preponderante para definir o palanque do partido, que adiou do próximo dia 25 para o dia 29 a convenção que irá oficializar sua posição na sucessão estadual. "Vou levar o quadro que temos aqui hoje à direção nacional. E juntos, vamos analisar o que é bom para o partido. Mas sabemos que a decisão é complicada", afirmou Rossoni.

Um dos desafios é manter o partido unido, seja qual for a decisão, afirmou o dirigente tucano. "Eu sigo a decisão do partido, mas vou continuar defendendo a candidatura própria", disse Rossoni, citando que a discussão agora inclui, além do nome do deputado federal Gustavo Fruet, a opção de lançamento do senador Alvaro Dias.

Durante a reunião, a possibilidade de Alvaro concorrer foi defendida por alguns deputados federais e o senador não esconde que a direção nacional do PSDB, por várias vezes, já pediu que ele considerasse a possibilidade de uma candidatura ao governo. Mais do que Gustavo, o senador tucano seria o único a conseguir aglutinar a maioria do partido no Estado, podendo atrair também setores dos que defendem a aliança com o PMDB.

Sintonia

Até então apontado como um aliado da tese de apoio à reeleição de Requião, o prefeito de Curitiba decidiu se alinhar a Rossoni, na defesa da candidatura própria. Mas também está preocupado com a união partidária. Beto disse que essa sintonia interna é fundamental em caso de o partido decidir pelo lançamento de um candidato ao governo. "A candidatura própria fortalece o partido, mas será uma candidatura nova e precisará do empenho de todo o PSDB", afirmou Beto.