A disputa eleitoral entre governo e oposição marcou o início do roteiro presidencial de visitas às obras no Rio São Francisco hoje pela manhã, em Minas Gerais. Numa série de gafes e desencontros, a agenda oficial fechada ontem à noite excluiu da programação a visita a Pirapora, governada pelo DEM, e manteve apenas o palanque em Buritizeiros, administrada pelo PT. As duas cidades ficam em margens opostas do São Francisco.

Enquanto em Pirapora a estação de tratamento de esgoto está concluída e a rede de saneamento básico já atinge 60%, em Buritizeiro as obras estão apenas no início. A estação de tratamento de esgoto nem começou a ser construída. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, durante seu discurso, que a ideia inicial era um roteiro de visitas às obras e não solenidades com palanque como a realizada em Buritizeiro. Depois que Pirapora foi tirada do roteiro, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), desistiu de participar da cerimônia em Buritizeiro e, por telefone, comunicou sua decisão ao presidente.

A ausência do governador no evento acabou dividindo a claque de políticos da região. Enquanto as lideranças ligadas ao governo federal seguiram a comitiva presidencial do aeroporto de Pirapora até o centro de Buritizeiros, os políticos ligados ao tucano – incluindo o prefeito de Pirapora, Warmillon Braga (DEM) – permaneceram no aeroporto à espera do governador, que chegou duas horas mais tarde apenas para se despedir do presidente da República.

No palanque mineiro, o governador que esteve ao lado de Lula foi o da Bahia, Jacques Wagner (PT), que acompanhou a comitiva ao lado dos ministros da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima; das Cidades, Márcio Fortes; das Comunicações, Franklin Martins; e da Casa Civil, Dilma Rousseff. O deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) também acompanha Lula na viagem pelas cidades às margens do São Francisco.