A presidente Dilma Rousseff começou a dar um lugar para os derrotados do PMDB no segundo e terceiro escalões, conforme havia prometido à direção do partido antes da demonstração de fidelidade da legenda na votação do salário mínimo de R$ 545, no mês passado. A notícia interessa ao ex-governador do Paraná, Orlando Pessuti, que aguarda também sua nomeação a um cargo federal.

O Diário Oficial da União desta quarta-feira publicou a nomeação do ex-deputado Colbert Martins, da Bahia, para comandar a Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Turismo, do Ministério do Turismo. O ato foi assinado pelo ministro Antonio Palocci (Casa Civil), ao qual cabe nomear as pessoas para estes cargos.

Colbert Martins, que já pertenceu ao PPS e se transferiu para o PMDB por influência do ex-ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), tentou a quarta eleição em outubro. Mas não obteve êxito numa disputa em que o PMDB se saiu muito mal na briga com o PT no estado. O próprio Geddel foi candidato a governador, mas acabou derrotado pelo petista Jaques Wagner, reeleito.

O Ministério do Turismo é da cota do PMDB do presidente do Senado, José Sarney (AP), que indicou o deputado Pedro Novais (MA) para titular da pasta. Novais protagonizou o primeiro grande escândalo dos ministros da presidente Dilma Rousseff. Em junho do ano passado ele financiou com dinheiro da Câmara uma festa num motel de São Luís, ao custo de R$ 2,1 mil.

Palocci chegou a defender um recuo na nomeação de Novais, mas Sarney fez pressão e o afilhado ficou no posto. Em compensação, seu ministério foi esvaziado pelos cortes no Orçamento da União.

BRIGAS PT X PMDB

A nomeação do novo dirigente da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) tem provocado grandes escaramuças entre o PT e o PMDB da Região Norte. O PT faz forte pressão para nomear a ex-governadora paraense Ana Júlia Carepa para o cargo. Mas o PMDB, tendo na trincheira dos padrinhos o senador Eduardo Braga (AM) e o deputado Luiz Otávio (PA), insiste na manutenção de Djalma Mello Antes, o PT havia lutado para tornar Ana Júlia presidente do Banco da Amazônia.

Para a direção da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) a briga ocorre dentro do PSB do Rio Grande do Norte. Uma ala defende a ex-governadora Wilma de Faria; outra, o ex-governador Iberê Ferreira. A presidente Dilma Rousseff aguarda o final da disputa para nomear o dirigente da Sudene, que será do PSB.

No caso da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), o nome dado como certo para a direção do órgão é o do ex-govenador goiano Iris Rezende, do PMDB. A Sudeco ainda não foi constituída. Mas a presidente Dilma Rousseff garantiu ao PMDB que a tirará do papel ainda neste mês.