O senador Clésio Andrade (PR-MG) afirmou que a presidente Dilma Rousseff assumiu efetivamente a articulação política do governo. “Ficou claro que dará o tom da coordenação política”, avaliou o senador, após participar de almoço da bancada de senadores do PR com Dilma no Palácio da Alvorada.

Segundo o mineiro, Dilma abriu o almoço agradecendo a “fidelidade” do PR, por ser um dos partidos da base aliada que acompanha com mais frequência a orientação do governo nas votações, ressaltou a importância do Congresso como aliado do governo e conduziu as conversas todo o tempo, protagonizando o encontro.

Presentes no almoço, as novas ministras Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil, e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, ouviram mais e falaram menos, relatou o senador. No entanto, os senadores do PR foram informados de que Gleisi e Ideli foram orientadas a manter as portas abertas para o diálogo com os aliados.

Durante a crise, Clésio e o líder do PR, Magno Malta (ES), se destacaram entre os principais críticos ao ex-chefe da Casa Civil Antonio Palocci. Clésio chegou a assinar requerimento de CPI para investigar a evolução patrimonial de Palocci, mas depois retirou a assinatura. Malta subiu à tribuna para reclamar da articulação política, afirmando que “os coordenadores políticos do Planalto tinham que fazer “uma cesariana por dia para tirar o rei da barriga”, em alusão indireta a Palocci.

Na presença de Dilma, Clésio disse que assinou a CPI porque Palocci não o recebia. E Malta lembrou que é preciso manter o bom relacionamento com a base, com o que Dilma está empenhada. “Durante a crise, a gente se reúne apenas para aparar arestas, não pode ser assim”, criticou o capixaba. Malta considerou “nobre e saudável” o gesto da presidente de reunir a bancada para estreitar os laços.