A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do processo de impeachment que a destituiu da presidência da República em 2016. Em manifestação encaminhada à Corte na noite desta terça-feira, 17, a petista, afastada há mais de um ano da Presidência, solicitou urgência no julgamento da ação e pediu também a inclusão, nos autos, do depoimento do corretor Lúcio Funaro, que revelou, em delação premiada, supostos pagamentos feitos por Eduardo Cunha para comprar votos favoráveis ao impeachment.

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O advogado de Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União, citou um trecho do depoimento de Lúcio Funaro registrado por escrito, e salientou que o delator “afirmou que o então ex-Presidente Eduardo Cunha teria angariado recursos financeiros para ‘comprar’ votos favoráveis à destituição de Dilma Rousseff”.

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“Pela narrativa do colaborador houve pagamento de votos para que a sra. Presidenta da República viesse a perder o seu mandato. O resultado do impeachment foi, portanto, obtido, com o pagamento ilícito e imoral de parlamentares. É o que basta para a confirmação, também por esta via, da ocorrência do desvio de poder que invalida inteiramente este processo imoral de destituição presidencial”, disse Cardozo.

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Apesar de agora utilizar depoimento de uma delação premiada na nova manifestação a um mandado de segurança que já tramita no STF, Dilma Rousseff criticou, por diversas vezes, conteúdos revelados por delatores, como forma de desqualificar acusações que já lhe foram feitas.

O relator do mandado de segurança é o ministro Alexandre de Moraes, que foi ministro do governo Temer até fevereiro, quando foi indicado pelo presidente ao STF. Ele ainda não tomou nenhuma decisão sobre o pedido. Antes de Alexandre, a ação tinha como relator Teori Zavascki, morto em janeiro em acidente aéreo. Teori negou conceder liminar pedida por Dilma, em decisão de outubro de 2016. O mandado de segurança chegou ao Supremo em 30 de setembro daquele ano.

“Indaga-se, pois, o que será ainda necessário provar-se para que se escancare ainda mais, aos olhos de todos, a imoralidade desta decisão que abalou a nossa democracia, rasgou a nossa Constituição e atingiu as nossas instituições? Que outros fatos precisarão ser provados para que a destituição ilegítima e arbitrária de um governo democraticamente eleito seja demonstrada e invalidada?”, disse Cardozo.

“Não se diga aqui que a estabilidade institucional reclamaria uma solução diferente para o caso sub examine. Não há, no Estado Democrático de Direito, a hipótese de convalidação para a destituição ilegítima de governantes. Quando uma Constituição é rasgada, a credibilidade institucional só é recomposta quando os seus pedaços voltam a ser colados, e o que ela determina volta a ser seguido.”

Temer

A manifestação em nome de Dilma ainda dedicou alguns parágrafos a críticas ao ex-vice-presidente Michel Temer, que assumiu a Presidência no lugar dela em 2016.

“Mesmo que o Governo que sucedeu ao de Dilma Rousseff tivesse elevados níveis de popularidade, tivesse tirado o país da crise, tivesse apresentado uma sobriedade ética irreparável, ao Judiciário, diante de um processo de cassação presidencial inválido, não caberia outro caminho, a não ser o de cumprir o seu dever maior de reparar o ato de arbítrio praticado contra quem foi legitimado pelas urnas”, disse.

“O governo Temer se arrasta dia após dia, mergulhado em escândalos sucessivos. O presidente da República é o primeiro Chefe do Executivo denunciado da nossa história pela prática de corrupção. A mesma maioria parlamentar que destituiu Dilma Rousseff, sob o pretexto de ter cometido ‘ilícitos’ de gestão orçamentária e financeira que foram práticas comuns nos governos dos Presidentes que a antecederam, agora se recusa a sequer permitir a abertura de um processo criminal contra o Presidente denunciado, por mais provas que existam da prática de graves ilícitos”, afirmou.