Deputados se consideram ludibriados

O pedido de quebra de sigilo bancário de onze empresas aprovado pela manhã perdeu o apoio de uma parte dos integrantes da CPI do Banestado no início da tarde e gerou uma crise entre os deputados da Comissão. Embora tenham aprovado a proposta apresentada pelo presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), alguns deputados recuaram horas depois. Eles alegam que foram ludibriados por Beraldin que teria submetido o pedido à votação de forma disfarçada, como se fosse a leitura de uma ata, e não teria dado tempo para que refletissem sobre a medida.

O presidente da CPI negou qualquer manobra e classificou a reação tardia dos colegas como natural. “É um assunto que envolve milhões e grandes empresas. É natural que cause estresse aos deputados”, disse.

O deputado Nelson Justus disse que espera uma reconsideração por parte do presidente da CPI. “Acho que o Neivo não vai legar ao Judiciário um pedido que não tem respaldo do conjunto da CPI. A Comissão tem que contribuir e não causar problemas”, disse o deputado pefelista.

“Fomos induzidos a erro”, afirmou Justus. De acordo com o deputado, a solicitação da CPI é “uma loucura” e os deputados não podem sair por aí abrindo as contas correntes de empresas e pessoas. “Avançamos demais. Não podemos culpar os empresários pela situação do Banestado. São empresas tradicionais do Estado e da maneira como isto se coloca para a opinião pública é como se já estivéssemos condenando os empresários. Precisaríamos de indícios mais concretos para pedir quebra de sigilo. Afinal, é a imagem e o nome das pessoas que estão em jogo”.

A deputada Elza Correia (PMDB) também alegou que votou favoravelmente à proposta porque Beraldin apresentou o pedido apressadamente e sem maiores discussões. “Nós havíamos combinado que este assunto seria discutido depois dos depoimentos. Mas o pedido acabou sendo analisado no início da sessão e nós, na hora, acabamos concordando. Acho que foi precipitado e tudo teria que ter sido conduzido com mais cautela”, justificou.

A deputada disse ainda que sua posição não é contrária a quebra de sigilo, mas que antes de a CPI fazer a solicitação à Justiça, os deputados teriam que ter verificado se as denúncias de irregularidades contra as empresas eram procedentes.

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