Deputados do PMDB realizaram nesta quarta-feira, 9, um churrasco para demonstrar apoio ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de receber US$ 5 milhões de propina no esquema de corrupção da Petrobras.

De acordo com participantes do encontro, quase todos os 67 peemedebistas da Câmara participaram. A única exceção apontada foi o pernambucano Jarbas Vasconcelos, que defende que Cunha se afaste da presidência por causa da acusação.

O almoço, realizado na casa do ex-deputado Glaycon Franco (PTN-MG), foi organizado pelo líder da bancada na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), por sugestão dos deputados Lúcio Mosquini (PMDB-RO) e Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG). Segundo relatos de três deputados, além de Picciani, Mosquini e Cunha, apenas a deputada Soraya Santos (PMDB-RJ) discursou. O local do encontro também sediou uma série de eventos da campanha de Cunha pela presidência da Câmara.

Cunha agradeceu o apoio dos correligionários, disse que devia à bancada sua condução à presidência da Casa e negou qualquer irregularidade envolvendo o esquema de corrupção da estatal brasileira.

Eduardo Cunha foi delatado pelo lobista Júlio Camargo em julho, o que motivou seu rompimento com o governo, já que o peemedebista atribuiu a denúncia a uma articulação do Palácio do Planalto. Segundo a denúncia da PGR apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar teria recebido propina para viabilizar a contratação de dois navios-sondas da Petrobras no período entre junho de 2006 e outubro de 2012.

Cunha negou a acusação e disse em discurso no almoço que “não existe e nem vai existir nenhuma prova” contra ele. Os outros oradores manifestaram apoio ao presidente da Casa em suas falas.

Conversas paralelas

Temas espinhosos para o governo como impeachment e aumento da carga tributária só apareceram genericamente em conversas paralelas, mas sem a participação de Cunha.

Nas rodas de conversa, discutiu-se a necessidade de o PMDB reunir sua bancada para discutir política o que, segundo alguns deputados, não vêm acontecendo desde que Picciani teve encontro a sós com a presidente Dilma Rousseff.

Também foi discutida a insatisfação de alguns parlamentares com a demora na liberação de cargos e recursos e com o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que estaria “ficando com tudo”, o que motivou o afastamento quadros da legenda, de acordo com deputados. O deputado Danilo Forte (CE), por exemplo, está trocando o PMDB pelo PSB e foi ao almoço apenas para se despedir.

Ao deixar o almoço, Cunha disse que o encontro foi uma confraternização.