O deputado José Domingos Scarpelini (PSB) apresentou um projeto de lei cassando o título de Cidadão Honorário do Paraná concedido ao deputado federal José Dirceu (PT) e entregue em solenidade concorrida no início do governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT). Scarpelini acha que o ex-ministro da Casa Civil não merece mais a homenagem desde que passou a ser o alvo preferencial das denúncias de corrupção no governo.
Para o deputado Natálio Stica (PT), o deputado Scarpelini "é maluco" e "gosta de estar sempre em evidência". Stica comentou que a homenagem a José Dirceu foi justificada pela sua história em favor das liberdades políticas no país e que os acontecimentos posteriores à sua entrada no governo devem ser analisados agora. "O que aconteceu depois é outra história e isso não tem o menor cabimento", afirmou o deputado petista.
Além do repúdio dos petistas, os autores da proposta de homenagem a Dirceu, a proposta está dividindo as opiniões em plenário e não há consenso nem mesmo entre os principais adversários do governo do PT, os tucanos e pefelistas. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), disse que não tem a intenção de submeter o projeto a votação. "Eu não tenho o menor interesse em colocar isso em discussão. Não me sentiria confortável presidindo uma sessão em que esse assunto fosse discutido", disse o deputado tucano, observando que a homenagem já foi feita e que o deputado petista deverá ser punido pelos seus eleitores por causa das denúncias que o atingem.
Mas o presidente estadual do PSDB, Valdir Rossoni, acha que a proposta de Scarpelini é oportuna. "Eu já fui contra quando propuseram a homenagem anteriormente sem que ele tivesse prestado qualquer serviço ao Paraná. Agora, muito mais porque ele está sendo cassado e é preciso preservar o Estado", justificou.
No PFL, o líder da bancada, deputado Elio Rusch, disse que não é o caso de execrar o ex-ministro sem que ele tenha sido julgado pelas acusações que sofre. "Eu não vi motivos para dar o título naquela ocasião. Mas agora também acho que é melhor esperar o julgamento dele em Brasília. O Paraná já foi injusto com muita gente que depois o tempo mostrou que não havia nada comprovado contra elas", afirmou Rusch, citando o caso das denúncias contra o ex-ministro da Saúde Alceni Guerra e o deputado Rafael Greca, todos envolvidos em denúncias de irregularidades quando foram ministros.


