O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), afirmou nesta quarta-feira, 9, que irá reapresentar o requerimento de convocação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dos irmãos Batista, principais acionistas da JBS, uma das empresas que mais doou dinheiro na última campanha eleitoral.

“O grupo JBS é poderoso e houve um acordo entre o PMDB e o PT para proteger a companhia”, afirmou ele após reunião da comissão.

A convocação dos irmãos Batista foi a única rejeitada nesta tarde pelo plenário da CPI. O requerimento foi derrotado por 15 votos a 9 em votação nominal. Entre os 23 requerimentos votados na comissão, apenas os 3 que envolviam a JBS foram rejeitados.

Com o objetivo de preservar uma das maiores financiadoras de campanha do País, Jordy afirmou que alguns deputados da comissão solicitaram que ele retirasse seu requerimento que convocava os controladores da companhia. Dos 27 deputados membros da comissão, 20 receberam doação da JBS na última campanha política.

O presidente da CPI, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), disse que a CPI está ganhando corpo e preferiu “não diminuir a opção que os parlamentares fizeram de não aprovar a convocação dos irmãos Batista”.

Já para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) não há necessidade de convocar a JBS porque a empresa apresenta lucro é uma companhia “de sucesso”. “Temos que convocar quem tem problema”, disse. Para o deputado, a convocação de Taiaguara, filho de Lambari, irmão da primeira mulher do ex-presidente Lula, foi uma provocação. “Convocação de Taiguara é um absurdo, ele não tem relação com o BNDES”, ponderou.

O deputado relator da CPI, José Rocha (PR-BA), esclareceu à reportagem que não recebeu doação direta da JBS e sim por meio das doações do partido. “Eu não conheço ninguém da JBS e fiz um requerimento no sentido de convocar os irmãos Batista”, afirmou o deputado. A assessoria de Rotta também esclareceu que o deputado não recebeu doações diretas da JBS.

A CPI foi criada com o objetivo de investigar supostas irregularidades envolvendo o BNDES entre 2003 e 2015, relacionadas a empréstimos suspeitos.