O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou nesta segunda-feira, 8, que as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras estão afetando os trabalhadores e que as empresas contratadas pela estatal estão atrasando salários e demitindo pessoal.

“Acrescentamos a preocupação em relação às obras que a Petrobras contratou e as empresas começaram a não pagar os salários. A crise está chegando nos assalariados”, afirmou a Torres. Ele e dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Nova Central se reuniram com a presidente Dilma Rousseff por quase duas horas hoje, no Palácio do Planalto. No encontro, as centrais apresentaram uma pauta de reivindicações para o segundo mandato da presidente Dilma, que inclui a renovação da política de reajuste do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR).

De acordo com Torres, a petroleira está atrasando repasses a empresas contratadas, o que tem afetado os trabalhadores. Questionado se essa situação se deve ao escândalo de corrupção que abala a Petrobras, Torres respondeu: “A Petrobras não está pagando grande parte dos seus contratos. Deve ser por causa das denúncias. Só pode ser”.

Segundo relatos dos presentes, Dilma disse que tudo o que envolve a estatal neste momento envolve muito “cuidado” e que os “trabalhadores não podem ser prejudicados”. Ela se comprometeu a consultar a Petrobras e o Ministério Público para encontrar uma solução para que a petroleira possa pagar as empresas subsidiárias sem que isso signifique uma irregularidade.

Os sindicalistas apresentaram uma proposta a Dilma, segundo a qual a Petrobras depositaria na Justiça do Trabalho as indenizações aos empregados, sem necessariamente retomar repasses às contratadas.

Torres relatou problemas com a empresa Alusa, que afetaria 6 mil trabalhadores. Segundo ele, a Alusa foi contratada para realizar obras na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, um dos epicentros das acusações de sobrepreço na Petrobras. Ele também mencionou a Iesa, no Rio Grande do Sul, e disse que foi identificado um problema semelhante no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Salário mínimo

Miguel Torres disse ainda que a presidente Dilma se comprometeu a enviar ao Congresso ainda neste ano uma proposta de correção da tabela do Imposto de Renda (IR). Dilma já editou uma medida provisória neste ano para reajustar a tabela em 4,5%, o centro da meta de inflação. As centrais, no entanto, argumentam que esse índice não repõe as perdas inflacionárias e pediram a Dilma que o cálculo seja feito com base na inflação real – o mercado, por exemplo, projeta uma inflação de 6,38% para 2014.