O DEM entrou nesta terça-feira (6) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com três ações para reaver os mandatos de deputados eleitos pela legenda que trocaram de partido, os chamados "infiéis". O DEM quer que o tribunal determine que Gervásio Silva (PSDB-SC), Jusmari Oliveira (PR-BA) e Walter Brito Netto (PRB-PB) percam o mandato porque abandonaram a legenda depois das eleições. Estes são os primeiros processos contra infiéis no TSE.

Os três deixaram o DEM depois do dia 27 de março, data em que o tribunal respondeu à consulta sobre a titularidade dos mandatos – se pertenciam aos partidos ou aos deputados e vereadores. Walter Britto era o suplente do deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), que renunciou ao mandato na semana passada para evitar uma condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de homicídio.

Gervásio Silva já apresentou uma justificativa para sua desfiliação: disse ter sido vítima de "grave discriminação". Na ação do DEM, porém, está a carta de desfiliação do deputado com elogios ao partido. "Estou convicto que esta trajetória de sucesso na minha vida política só se concretizou graças ao entusiasmo, a lealdade, a dedicação, o companheirismo e a confiança das bases do partido", afirmou na carta em 8 de agosto deste ano.

Para continuarem com os mandatos, Jusmari, Gervásio e Walter Britto terão de comprovar ao TSE que foram vítimas de perseguição e que o DEM desrespeitou seus compromissos programáticos. Caso contrário, darão a vaga aos respectivos suplentes. Nos próximos dias, o PPS também pedirá a perda do mandato de um "infiel", o deputado Geraldo Resende (PMDB-MS).