O comando nacional do Democratas acusou nesta quinta-feira o governo federal de estar por trás da “segunda onda” de assédio sobre os parlamentares do partido.
Depois da primeira reunião da nova Comissão Executiva Nacional do DEM, o presidente do partido, senador José Agripino Maia (RN), disse que o Palácio do Planalto está pressionando governadores e parlamentares de vários partidos para acompanharem o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, no seu projeto de formação do PSD (Partido Social Democrático), como forma de tentar enfraquecer a oposição. “O Planalto está atuando pessoalmente. É uma luta desigual”, criticou Agripino.
Segundo os dirigentes do partido, a estratégia do governo seria pressionar diretamente não apenas políticos do DEM, como, por exemplo a deputada federal Nice Lobão (MA), que é casada com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). E garantem que essa ação tem ocorrido também sobre outras legendas.
Os dirigentes do Democratas citam os casos do governador do Amazonas, Omar Aziz, e do senador Sérgio Petecão (AC), ambos do PMN, além do prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, do PTB como exemplos dessa operação governista.
Por essa avaliação, o plano do governo seria inflar o PSD com políticos de outros partidos para fortalecer a nova legenda e balançar a resistência dos integrantes do Democratas que hesitaram em se desfiliar assim que Kassab anunciou sua disposição de criar sua sigla.
Outro fator que tem provocado a segunda onda são as insatisfações regionais. Em vários Estados, políticos locais têm aproveitado a situação de incerteza para reivindicar maior espaço dentro dos diretórios municipais e estaduais.
Foi o caso do ex-deputado federal Indio da Costa (RJ), que concorreu no ano passado como candidato a vice presidente indicado pelo DEM na chapa presidencial encabeçada pelo tucano José Serra.
Reivindicando o direito de disputar a prefeitura do Rio em 2012, o ex-deputado teve a pretensão negada pelos dirigentes locais. No Rio, o partido é comandado pelo ex-prefeito César Maia e pelo deputado federal Rodrigo Maia. Sem esse espaço, Indio preferiu se desfiliar e deve acompanhar Kassab no PSD.
Situação parecida acontece em Goiás, onde o deputado federal Vilmar Rocha cobra mais espaço no diretório local, que considera excessivamente concentrado com o deputado federal Ronaldo Caiado, principal político do Democratas no Estado. Como o comando nacional do partido não concorda com a reivindicação, a tendência é que Vilmar também acompanhe Kassab no PSD.
Na Bahia, o aval do Planalto ao plano de criação do PSD foi mais visível. O próprio governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, compareceu à solenidade de lançamento do manifesto do novo partido e incentivou seu vice governador Otto Alencar a trocar o PP pelo PSD. O movimento do partido na Bahia custará pelo menos dois deputados federais ao DEM, já que Paulo Magalhães e Fernando Torres migrarão para o grupo de Kassab.
Para tentar minimizar esses efeitos, dirigentes do Democratas já preparam uma reação para atrapalhar a vida do novo partido. Já está decidido que o DEM vai auditar todas as assinaturas que forem apresentadas pelo PSD como pré-requisito para terem sua criação homologada pela Justiça Eleitoral. Com isso, esperam encontrar assinaturas com problemas e retardar a fundação da legenda.
Como o PSD corre contra o tempo e precisa estar registrado oficialmente até um ano antes da próxima eleição, esse prazo se esgotará em outubro. E os integrantes do DEM apostam que quanto mais inseguro for o cenário jurídico da fundação do PSD, menos baixas terão.


