Em depoimento à CPI da Petrobras, o operador de câmbio da doleira Nelma Kodama, Luccas Pace Júnior, disse aos parlamentares que há brechas no sistema de fiscalização do Banco Central que favorece a atuação irregular de corretoras.

continua após a publicidade

Primeiro a firmar acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, Pace disse que existe “vista grossa” na ação dessas corretoras, que fazem a intermediação de negócios para empresas de fachada. Essas empresas atuam como importadoras, mas sem registro na Receita Federal.

Ele contou que há movimentações diárias de US$ 200 e US$ 300 mil e que não há controle sobre essas operações, mesmo após a Operação Lava Jato. “Posso afirmar com certeza que existem brechas propositais. É muito estranho que não se tenha controle sobre isso”, apontou. O delator disse que se sentiu “aliviado” com a prisão porque foi “libertado” da organização criminosa que integrou.

Pace contou que trabalhou com Nelma e que seus clientes eram identificados por apelidos, que poucos frequentavam o escritório. Todas tinham empresas de fachada. “Nenhuma importou (sequer) uma mercadoria”, contou.

continua após a publicidade

Pace se contrapõe ao depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles. Ele negou mais cedo aos deputados que o sistema de fiscalização do mercado financeiro é “avacalhado” e disse que relatórios de inteligência financeira foram fundamentais para as apurações da Lava Jato.