O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), reagiu às críticas de Eduardo Campos (PSB), que se referiu às disputas entre petistas e tucanos como “velha rinha”, e insinuou que o governador de Pernambuco usa de “subterfúgios” para esconder sua intenção de se candidatar a presidente da República no ano que vem. Amigo de Campos, Déda defende a candidatura do presidente do PSB pela aliança que hoje apoia o governo de Dilma Rousseff em 2018 e não em 2014.

Durante encontro de prefeitos, em Pernambuco, na quinta-feira, Eduardo Campos afirmou que os ataques verificados entre PT e PSDB nos últimos dias, já visando à disputa presidencial de 2014, é “tudo o que o País não precisa”. Para Déda, em vez de criticar, Campos deveria elogiar a briga entre os dois adversários porque tudo é feito às claras, sem que ninguém tente esconder que está disputando pela conquista de espaços e que, cada um, faz o que pode para defender seu projeto de governo.

“Com relação à uma pretensa ‘rinha’, pelo menos um elogio meu amigo e companheiro Eduardo Campos deve aos últimos pronunciamentos das lideranças do PT e do PSDB: elas estão sendo explícitas e sinceras em suas pretensões. Independente das divergências de mérito, não estão se valendo de subterfúgios para debater seus projetos e pretensões políticas com a sociedade brasileira”, disse ele, numa referência às movimentações do governador de Pernambuco que, convidado a apoiar a reeleição de Dilma Rousseff no ano que vem, disse que não vai tratar do assunto agora. Mas prometeu lealdade em 2013. Campos é potencial candidato à sucessão da presidente da República.

Para Marcelo Déda, mesmo com a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) já lançada em janeiro pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com a de Dilma Rousseff alardeada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva num ato do PT, na quarta-feira (20), “não há antecipação de campanha”. O que existe, segundo Déda, “é um legítimo e necessário debate político, oportunizado pelos dez anos de governos democráticos e populares liderados pelo PT, dos quais o PSB foi e é aliado destacado”.

Déda continuou: “O que se discute – e isto interessa a todos, empresários e trabalhadores, não somente aos partidos – é qual modelo o Brasil quer para os próximos anos.” Ele aproveitou para pôr mais lenha na fogueira da briga entre PT e PSDB e voltou a fazer comparações entre os governos dos dois partidos. “Nos últimos 18 anos o País experimentou dois modelos de administração pública. Qual deles a sociedade quer doravante? Este debate é um dever dos partidos e um direito da sociedade.”