Segunda testemunha da defesa a ser ouvida pela Comissão Especial do Impeachment nesta terça-feira, a ex-ministra do Planejamento e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, disse que não houve crime fiscal na emissão de decretos de créditos suplementares. Para ela, é um “equívoco” o Tribunal de Contas da União (TCU) aplicar retroativamente uma mudança de entendimento. Miriam recomendou que a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) avalie a consequência da decisão do TCU.

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Ela também ressaltou que, na sua opinião, os decretos foram feitos com base em lei aprovada pelo Congresso Federal. Miriam relembrou que, em 2009, o mesmo procedimento foi adotado pelo governo, porém sem questionamentos das Casas ou do TCU. “Não houve crime fiscal. Há 15 anos os decretos são feitos desta maneira”, defendeu.

A ex-ministra também buscou minimizar a participação da presidente afastada Dilma Rousseff na emissão dos decretos. De acordo com ela, muitas vezes documentos “de 200 páginas chegam prontos para a presidente”, e Dilma “não pode ser responsabilizada individualmente sobre eles”. Além disso, alegou Miriam, Dilma também não poderia ser considerada culpada sozinha, porque a emissão dos decretos “passa por um processo robusto, chegando à presidente após passar por equipes técnicas com segurança”.

Miriam reforçou a tese da defesa de que “os decretos não geram nenhum efeito na meta fiscal”. “A mera edição de um crédito aumenta o cardápio do que uma área pode fazer, mas não aumenta o gasto.” Ela destacou ainda a relevância dos créditos suplementares, especialmente para garantir programas educacionais, que “precisavam ter sido emitidos para garanti-los”. “A emissão de decretos tem uma governança extremamente sólida, robusta, pela importância deles na responsabilidade federal, por tratarem de recursos públicos.”

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Neste momento, os senadores ouvem Orlando Magalhães da Cunha, analista de Planejamento e Orçamento e ex-subsecretário de Planejamento e Orçamento do Ministério da Justiça.