nereu231204.jpg

Moura: necessidade de nova
política de alianças.

Em fase de distanciamento do PT, setores do PMDB já começam a listar novos aliados para futuras disputas eleitorais, em especial a sucessão estadual de 2006.

O vice-presidente estadual do PMDB, deputado estadual Nereu Moura, é um dos defensores da abertura de uma nova frente de conversações, que incluiria o PPS, o PL e o PTB. A tese dos peemedebistas é que estes contatos serviriam não apenas para aumentar a base de sustentação do governo na Assembléia Legislativa, mas também para costurar acordos eleitorais para a disputa do governo.

O PTB já tem boas relação com o PMDB, na Assembléia Legislativa. Os deputados Ailton Araújo, Carlos Simões e Jocelito Canto, não estão formalmente integrados ao bloco de sustentação do Palácio Iguaçu, mas quase sempre votam com o governo. Na eleição municipal em Curitiba, o PTB esteve junto na aliança com o PMDB e PT em torno da candidatura do deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT).

Já com o PPS, há possibilidades, acredita Moura. "O governo se divide em duas partes. A primeira, do início para o meio, termina no próximo dia 31 de outubro. A segunda parte, do meio para o final, começa agora. Isto traz a necessidade de ter uma nova política de alianças", disse Moura. Ele acha que se o PMDB quiser ter um projeto vitorioso em 2006, não poderá ir sozinho, como ocorreu em 2002. Na eleição anterior, o partido do governador participou da eleição em um palanque solitário.

Para Moura, é natural que haja uma ampliação do leque de alianças do PMDB. "Não podemos negar que 2006 está se aproximando", disse o deputado, acrescentando que o desligamento do PT da base aliada já é sintoma da construção de um projeto próprio para a sucessão estadual.

O PPS apoiou o PMDB no segundo turno da eleição de 2002, mas tem uma relação neutra com o governo. Nas eleições municipais, o PPS se recusou a entrar na composição com PT e PMDB, mantendo a candidatura do seu presidente estadual, Rubens Bueno, à prefeitura. No segundo turno, o caldo entornou com o PT por conta da neutralidade adotada pelo presidente do PPS. Mas com o PMDB, os contatos permaneceram amistosos. O governador Roberto Requião evitou fazer comentários sobre a postura do PPS e uma semana depois da eleição foi o convidado especial de um seminário para prefeitos eleitos do PPS, em Curitiba.

PPS admite pontos de convergência

O presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, disse que os rumos nacionais convergentes do PMDB e do PPS podem levar as duas siglas a discutir um projeto nacional, que pode também desencadear o que chamou de um "movimento positivo" no estado. Bueno afirmou que o PPS tem seu projeto de candidatura própria ao governo em 2006, mas não exclui a hipótese de o partido vir a conversar com o PMDB sobre a sucessão estadual.

Secretário-geral do diretório nacional, Bueno citou que a decisão do PPS e do PMDB de se desligarem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a perspectiva de as duas siglas se juntarem para discutir um projeto alternativo para as eleições presidenciais. Nos mesmos moldes daquele que está sendo debatido pelo PPS com o PDT, comparou.

"Nós temos uma discussão nacional de aliança com o PDT. Mas temos a possibilidade de conversar com o PMDB porque uma semana depois que nós tomamos a nossa postura com relação ao governo, veio a decisão do PMDB. Daí a perspectiva de podermos ir em busca de um projeto alternativo, uma saída à solução PT ou PSDB. Aqui, no estado nós também podemos ter este movimento positivo. Claro que com um pouco mais de tempo e de forma natural", afirmou.

Boas chances

Para o deputado estadual Mauro Moraes, que foi candidato a prefeito pelo PL em Curitiba, e que no segundo turno da eleição compôs com o PT e PMDB, há uma tendência de o seu partido estar junto com os peemedebistas em 2006. "Na Assembléia Legislativa, nós somos do grupo independente. Apoiamos o governo dependendo do projeto. Mas vejo com bons olhos a perspectiva de um acordo para a sucessão estadual. É claro que esta é uma decisão do conjunto do nosso partido, mas pessoalmente acho que se não tivermos um candidato ao governo, e hoje não vejo condições para isso, podemos ser aliados do PMDB", comentou. (Elizabete Castro)