O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), afirmou nesta sexta-feira que sua candidatura à Presidência da Casa não tem um perfil de oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), mas deixou claro que não conta com o apoio do PT para se eleger. “Não estamos construindo uma candidatura de oposição. Não será uma candidatura de oposição, mas também não será uma candidatura subserviente a nenhum poder, nem ao Executivo nem ao Judiciário”, disse a jornalistas em sua chegada à capital gaúcha, onde veio fazer campanha. “Será uma candidatura que busca a independência, a atuação do Parlamento com independência.”

O deputado disse que, desde que anunciou sua intenção de concorrer à posição hoje ocupada pelo também peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN), no dia 2 de dezembro, já passou por Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina antes de chegar ao Rio Grande do Sul. “Boas visitas e boa recepção”, falou. Segundo ele, o objetivo é rodar todos os Estados para debater ideias e propostas com os parlamentares em suas regiões. Hoje, em Porto Alegre, além de encontrar o prefeito José Fortunati (PDT) e o governador eleito José Ivo Sartori (PMBD), Cunha terá um jantar com deputados federais e estaduais eleitos este ano.

Cunha afirmou que recebeu o apoio do PSC e do Solidariedade mesmo antes de confirmar sua candidatura. As duas legendas, junto com PMDB, PR e PTB, formam um “blocão” informal de votação na Câmara. O deputado explicou que, além desses partidos, também está conversando com Democratas, PPS, PSDB, PP, PSD e PRB, e que aguarda para os próximos dias a manifestação favorável de outras siglas que já sinalizaram adesão à sua candidatura.

“Além das conversas partidárias, fomos para as bancadas temáticas como saúde, bancada ruralista, bancada evangélica, e estamos indo para os Estados para buscar as bancadas nos seus próprios Estados. Queremos debater para discutir as propostas que vamos implementar caso sejamos eleitos”, disse.

Sobre o PT, Cunha argumentou que “não fechou a porta a ninguém” e que pretende dialogar com todos os deputados da Casa que estiverem dispostos a ouvir suas propostas, mas afirmou que o partido governista já se mostrou contrário ao seu nome. “O PT como bancada já teve um posicionamento. Eles disseram que não queriam diálogo num certo momento. Mas se eles sinalizarem que querem o diálogo, estou disponível para conversar”, revelou.