Foto: Agência Câmara

Vargas: já teria resolvido.

Os principais partidos aliados do governo Roberto Requião (PMDB) têm acompanhado atentos, mas calados, os problemas enfrentados pelo governador em seu terceiro mandato.  

As denúncias de corrupção, as agressões verbais do governador a seus adversários e desafetos e, principalmente, as brigas internas, com membros do primeiro escalão trocando acusações publicamente, têm preocupado as direções do PT e do PCdoB, que, mesmo assim, preferem, por enquanto, não opinar sobre os problemas.

A carta aberta divulgada pelo ex-procurador-geral do Estado Sérgio Botto de Lacerda, com críticas diretas à atuação do governador, e o conseqüente bate-boca entre a atual procuradora, Jozélia Broliani, e o presidente do conselho administrativo da Sanepar, Pedro Henrique Xavier, são os fatos que mais preocupam os aliados. ?As divergências internas são comuns de qualquer governo heterogêneo, que não é formado por um único partido ou setor da sociedade. Classificamos esse desencontro como natural?, disse o presidente estadual do PCdoB, Milton Alves. ?Não temos muitas informações sobre esses problemas, nossa participação no governo é mais por alinhamento de idéias. Em cargos, na máquina, é muito pequena?, justificou.

Para Alves, cada instância do poder deveria limitar-se a cumprir seu papel e respeitar a outra. ?E confiamos nas decisões, firmes, do governador para regular isso.? Sobre as denúncias de corrupção, o presidente do PCdoB disse que ainda há muita especulação e poucos dados concretos. ?Não vejo uma crise instalada. Há órgãos competentes de controle e fiscalização e vamos aguardar esses pareceres para sabermos o que há de concreto?, concluiu.

O presidente estadual do PT, deputado federal André Vargas, tem a mesma opinião. ?Todas essas denúncias ainda precisam ser investigadas. Não está consagrado o problema ético. De concreto, por enquanto, apenas essas contradições internas?, comentou. ?Nossa avaliação do governo Requião segue como satisfatória?, reforçou.

Sobre a crise interna, Vargas disse que o problema já era notório no mandato anterior do governador. ?Se há divergências, cabe ao governador, e somente a ele, tomar as providências, seja chamando a atenção ou tirando do governo quem ele acha que esteja errado. O PT tem cumprido sua parte, os secretários de nosso partido não estão envolvidos em nenhum desses problemas?, declarou. Vargas também afirmou que, por enquanto, o PT segue cumprindo seu papel no atual governo, sem interferir nessas discussões. ?Estou vendo de fora, não sou o governador, se fosse, saberia como resolver a crise. Se formos chamados a opinar, opinaremos?, finalizou.