Tem 22 nomes a lista de depoentes que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Banestado pretende ouvir nesta sua terceira visita ao Paraná.

A CPMI, que é representada por seu relator, deputado José Mentor (PT-SP), e os deputados Irini Lopes (PT-ES), José Rocha (PFL-BA), Eduardo Sciarra (PFL-PR) e Clair Martins (PT-PR), reúne-se no plenarinho da Assembléia Legislativa, hoje e amanhã, a partir das 9h.

O objeto das investigações é a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais através das contas CC5, denunciada pelo Ministério Público. Os trabalhos da comissão, que tiveram início no ano passado, vão ser prorrogados por mais 180 dias, a partir de 13 de junho (não são computados os dias do recesso parlamentar de julho). O pedido já foi apresentado. Segundo o deputado José Mentor, o requerimento tem o número de assinaturas suficiente para a aprovação do prazo adicional. Só falta a leitura do requerimento em sessão do Congresso Nacional para formalizar a ampliação do prazo.

Na próxima terça-feira (1.º) e quarta-feira (2), estão agendadas reuniões com as subcomissões, para preparar as diligências nos estados. Na quinta (dia 3) e na sexta-feira (dia 4), os deputados vão a Manaus (AM) para realizar investigações solicitadas em requerimento do senador Jefferson Péres (PDT-AM).

Depoimentos

Na audiência pública de hoje devem depor o ex-funcionário do Banco Central, George Panteliades; o empresário Telmo Antunes Picanço; o ex-diretor do banco paraguaio Integración, Afonso Celso Braga; o empresário Afonso Celso Braga Filho; o empresário Marco Antônio Vendrametto; o procurador da off-shore Magna, Rogério Klein; o empresário Carlos Roque Casimiro; o ex-diretor do banco Araucária Fernando Silva Peixoto; a ex-diretora de câmbio do banco, Ruth Wathely Bandeira de Almeida; e o seu ex-presidente, Alberto Dalcanale Neto.

A agenda de amanhã prevê a oitiva do ex-diretor do banco Del Paraná, Anísio Resende de Souza; do ex-gerente do Banestado em Nova York, Ércio de Paula Santos; dos funcionários do Bemge, Líliam Hipólita Garcia, Henrique Futhyk, Cássia Regina Lázaro Werner; dos ex-diretores do banco, João José de Miguel e Miramar Bottini Filho; do gerente comercial Edmilson Rolon e do vice-presidente de Finanças do banco Ronaldo Lamounier Locatelli; do empresário Sérgio Luiz Malucelli; e dos ex-funcionários do Banco Central, Gerson Moura da Silva e Rosa Regina Mehl.

Sigilo

Na reunião da última terça-feira, a CPMI aprovou requerimentos de quebra de sigilo telefônico, bancário e postal de pessoas físicas e jurídicas que ajudarão na investigação da remessa ilegal de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior, por meio das chamadas contas CC5, destinadas a brasileiros que residem no exterior e empresas com sede no exterior. Foram sugeridas ainda reuniões para discutir a regulamentação e a autonomia do Banco Central (BC). Para os deputados e senadores, uma discussão a respeito das circulares enviadas pelo BC colaboraria muito com os trabalhos da comissão.

Mentor também adiantou que pretende apresentar até o final de junho um relatório preliminar das investigações realizadas até agora, destacando o empenho dos integrantes da CPMI em evitar a contaminação dos trabalhos pelo clima de disputa pré-eleitoral. “Não vamos investigar ou não investigar alguém porque esta pessoa é candidata ou não”, assegurou.