Apesar das duas acareações realizadas até agora, a CPI das Universidades na Assembléia Legislativa não conseguiu ainda chegar a uma conclusão sobre o destino dado a cerca de R$ 900 mil pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, o que levou o relator, deputado Neivo Beraldin (PDT), a invocar a figura do “buraco negro”, onde os recursos se perderiam. Uma segunda acareação foi feita ontem, no plenarinho da Casa, desta feita entre o ex-pró-reitor Nadir Laidane, o ex-chefe da seção financeira Gabriel Kravchychyn, o ex-tesoureiro Darci Santos, o professor Roberto Merhy e o atual vice-reitor, professor Ítalo Grande.

Segundo o presidente da comissão, deputado Mário Bradock (PMDB), a sistemática dos desvios é conhecida: após Darci Santos falsear a fita de controle de caixa, colocava o numerário desviado num envelope e o entregava a seu chefe imediato, Kravchychyn, que por sua vez o enviava a Laidane. O ex-pró-reitor reafirmou que recebia mensalmente um envelope contendo apenas a quantia suficiente para pagar os carnês dos cursos de mestrado em Economia Industrial de Merhy e Grande, cerca de R$ 900.00. Os carnês tinham 20 parcelas. Santos declarou que entregava semanalmente a Kravchychyn um valor entre R$ 4 mil e R$ 5 mil e que este lhe retornava 20 a 30% da quantia apurada. O ex-chefe da seção financeira negou, reforçando que repassava um envelope fechado diretamente para Laidane. Os professores Merhy e Grande negaram conhecer qualquer “esquema” para recolher dinheiro para pagamento de seus cursos. Embora a universidade custeasse os cursos, não há documentos sobre o processo. Seria uma espécie de acordo verbal entre a direção e os professores.

Para o deputado Artagão Júnior (PMDB), a acareção deixou bem claras as contradições entre os depoentes: “A reunião de hoje serviu para comprovar que alguém está mentindo. Pelas afirmativas feitas, podemos dizer, objetivamente, que houve desvios de recursos na UEPG”.

Fita gravada

Darci Santos entregou à Comissão Interna de Investigação da UEPG uma fita contendo gravação de diálogo com Gabriel Kravichychyn, que demonstraria o repasse de R$ 4 mil desviados da universidade. A gravação foi apresentada durante a audiência de ontem, mas em função da má qualidade do som, deverá ser periciada para degravação do conteúdo. A CPI só volta a se reunir na semana que vem. Na sua agenda constam visitas às universidades estaduais de Londrina e campo Mourão, ainda sem data definida.