Depois de se tornar pública a carta escrita pelo presidente do Condor, Pedro Joanir Zonta, na qual ele sugere que os funcionários da rede de supermercados a votem no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), o Ministério Público do Trabalho (MPT) convocou a empresa para se explicar oficialmente sobre o assunto.

Durante a tarde desta terça-feira (2), a procuradora do Trabalho Cristiane Sbalqueiro Lopes encaminhou uma notificação à direção da rede de supermercados Condor para que Zonta compareça a uma audiência às 17h desta mesma data, na sede do Ministério Público do Trabalho, no Centro de Curitiba. A notificação foi feita após uma denúncia protocolada na manhã desta terça-feira no MPT.

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Outro procedimento aberto

 

Além disso, por causa da carta, a Procuradoria Regional Eleitoral do Paraná também instaurou procedimento preparatório eleitoral contra o Condor e seu presidente, Pedro Joanir Zonta. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, a intenção do procedimento é aferir se as declarações constantes na carta podem, de alguma forma, constranger os funcionários do grupo.

Em nota encaminhada à imprensa, o Ministério Público Eleitoral ainda afirma que “o voto universal, direto e secreto é um dos pilares da democracia brasileira” e que “todos os eleitores devem ter a liberdade de escolher o candidato que melhor o representa”. E ainda explica que, a partir do momento em que existe a dependência econômica por parte dos funcionários, esse tipo de ação pode caracterizar o que se chama de “temor reverencial”, “que consiste no receito de desagradar a certa pessoa de quem se é psicológica, social ou economicamente dependente”.

No documento, a o Ministério Público Eleitoral ainda afirma que, para a procuradora Eloisa Helena Machado, é clara a coação para os funcionários, “pois, numa época de desemprego exacerbado, o funcionário pode temer a perda de seu emprego, seja pelas rezões políticas expostas na carta, seja por retaliação do empregador, caso venha a saber que seu ‘pedido’ não foi atendido”.

No entendimento dela, “quando o dono de uma grande empresa divulga a seus funcionários em quem irá votar e, ao mesmo tempo, pede ‘que confiem em mim e nele para colocar o Brasil no rumo certo’, há clara ofensa ao direito de escolha desses empregados”.

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Houve financiamento?

A divulgação da carta de Zonta aos funcionários do Condor ainda despertou mais uma desconfiança por parte do Ministério Público Eleitoral. Na mesma nota, o órgão afirma que  também será apurado se a empresa “está, de alguma forma, financiando a campanha eleitoral do candidato ao qual declarou apoio” e ainda lembra que “o financiamento de campanhas eleitorais por pessoas jurídicas é vedada em nosso ordenamento jurídico”.

Os empregados do Grupo Condor podem fazer denúncias sobre a situação na empresa pelos canais de atendimento do Ministério Público Federal (MPF): pelo e-mail do Núcleo de Atendimento ao Cidadão (prpr-nac@mpf.mp.br) ou pela sala de atendimento ao cidadão disponível no portal do MPF (www.mpf.mp.br/para-o-cidadao/sac).

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Condor apresentou o mesmo posicionamento já demonstrado anteriormente, dizendo que o departamento jurídico da empresa está tomando ciência da situação e que, “com relação à carta, trata-se de um documento interno do presidente da empresa a seus empregados, posicionando-se em relação à situação do país e das eleições”.

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