A Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio) fez, na manhã desta segunda-feira (24), uma diligência no prédio onde funcionou o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) durante a ditadura militar.

Quinze ex-presos políticos visitaram as instalações que foram usadas para torturas psicológicas, como celas feminina e masculina, locais de interrogatório e a sala do delegado responsável pelo quartel.

Batizada, na época, de “Depósito de Presos São Judas Thadeu” a cela principal estava fechada – atualmente serve como local para desmonte de armas e, segundo a Polícia Civil, somente o armeiro responsável tem as chaves dos cadeados. Por isso, uma nova diligência foi marcada para esta quinta, 27.

Durante a diligência de hoje, a maioria dos presos relatou ter sofrido torturas psicológicas a partir de 1964. O relato mais impactante foi de Maria Helena Guimarães Pereira, de 69 anos, presa grávida em 1972.

Ela contou que perdeu o bebê por causa das sucessivas torturas físicas espancamentos e socos durante os seis meses que esteve detida no Dops. As torturas físicas eram desconhecidas pela maioria dos detidos.

Depois que deixou a prisão, Maria Helena engravidou novamente, mas o bebê nasceu morto, o que ela credita às sucessivas sessões de espancamento. “Por causa de tudo que sofri aqui, tive de fazer terapia sete dias na semana.”

O espaço onde funcionou o Dops serviu como centro de repressão da polícia política desde 1910, quando foi construído. Presa durante o Estado Novo (1930-45), Olga Benário saiu de lá para ser deportada e entregue aos nazistas.

Atualmente, o local está fechado para obras de reforma. Apesar de a fachada estar preservada depois de intervenções que começaram em 2009, o interior do prédio está completamente degradado com infiltrações, pombos morando no local, reboco caído no chão. Obras emergenciais estão sendo feitas, mas não há previsão de término.

Os integrantes da CEV-Rio e os ex-presos políticos reivindicam que o local seja transformado em espaço de memória da resistência para contar sobre os períodos de repressão.

A Polícia Civil, proprietária do prédio, usava o local como Museu da Polícia Civil e alega que o espaço será compartilhado para também contar as histórias de resistência e repressão.

Assim, as salas que forem identificadas como locais de tortura, serão reformadas para contar essas histórias. As demais salas contariam histórias de outros períodos históricos.