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Veneri: queda de braço com o governo.

O líder do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), pediu formalmente ontem à Comissão Executiva da Assembléia Legislativa que cobre do deputado Tadeu Veneri (PT) a identificação do autor da assinatura desconhecida na proposta de emenda constitucional (PEC) que acaba com a prática de nepotismo no Executivo, Legislativo e Judiciário. Romanelli argumentou que Veneri tem a obrigação de revelar o autor da rubrica, já que apresentou a PEC e coletou pessoalmente os apoios entre os deputados.

Em resposta ao líder do governo, Veneri anunciou que irá também requerer formalmente à mesa executiva, na próxima segunda-feira, que determine a realização de um exame grafotécnico para estabelecer a origem da assinatura. Veneri disse que a Polícia Federal poderá determinar com precisão se a assinatura pertence a algum dos 54 deputados estaduais ou aos suplentes, que tenham exercido o mandato durante este ano.

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Romanelli: afinal, quem foi que assinou?

A autoria da assinatura foi o tema predominante na sessão de ontem, já que o deputado Edgar Bueno (PDT), a quem a assinatura foi atribuída, nega ser o décimo oitavo apoiador da PEC. De acordo com a mesa diretora, as duas assinaturas, a de Bueno e a que está na PEC, não apresentam qualquer semelhança.

Conferência

Veneri começou a recolher as assinaturas em janeiro deste ano. Ele disse que, na segunda-feira, na véspera da apresentação do projeto, seguiu o procedimento de praxe, apresentando as rubricas à mesa diretora, que conferiu e identificou a assinatura como pertencente a Bueno. A mesa executiva tem um arquivo contendo as rubricas de todos os deputados. Anteontem, entretanto, depois da suspeita levantada por Romanelli, a mesa fez nova conferência e concluiu que não foi Bueno que assinou a proposta.

Romanelli afirmou que decidiu exigir explicações de Veneri a partir de declarações feitas pelo petista nas emissoras de rádio. Conforme o líder do governo, em entrevistas, Veneri tem insinuado que Bueno teria retirado a assinatura. ?Só que nas conversas conosco, ele diz que acha que o nome não é do Edgar. Então, que ele diga de uma vez de quem é, porque se trata de um documento público?, criticou.

O deputado petista disse que não fez nenhuma insinuação. ?Se o deputado diz que a assinatura não é dele, eu acredito. O que não pode é ficar essa situação de dúvida sobre quem fez a rubrica. É por isso que eu espero que um exame grafotécnico possa esclarecer tudo isso. Depois de identificada a assinatura, finalmente a proposta vai poder tramitar?, afirmou.

A queda-de-braço entre a bancada aliada ao governo e os apoiadores da PEC começou na legislatura passada. No ano passado, faltaram apenas quatro votos para que a emenda fosse aprovada em segunda discussão.

Proposta gera conflito interno no PT

A discussão sobre a proposta de emenda constitucional proibindo a contratação de parentes nos três poderes, em âmbito estadual e municipal, gerou um conflito no PT. Ontem, a direção estadual do PT recebeu pedido de instalação de uma comissão de ética para se manifestar sobre a posição do líder da bancada estadual do PT, Elton Welter. Assinado pelo secretário estadual de Comunicação do PT do Paraná, Augusto Franco, e outros dois integrantes do diretório, Glades Rossi e Joaquim Junior Borges Ribeiro, o pedido alega que Welter feriu a ética partidária ao declarar, em entrevistas aos jornais, que o deputado Tadeu Veneri (PT), autor da PEC, não discutiu a apresentação da PEC com a bancada, que desconhecia a emenda.

De acordo com o documento, Welter propôs a discussão do tema na reunião da executiva estadual de segunda-feira passada, véspera da apresentação da PEC na Assembléia Legislativa, quando teria comunicado que nenhum dos outros cinco deputados do PT assinariam a emenda. ?Então, como ele pode dizer que não sabia de nada, sendo que esta reunião foi um dia antes da apresentação do projeto na Assembléia??, questionaram os signatários do documento. A reportagem de O Estado procurou o deputado ontem em seu gabinete, mas Welter estava em viagem para Toledo e não atendeu ao seu telefone celular.