Em outubro de 1975, o então comandante do 2.º Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, visitou a sede do DOI-Codi, em São Paulo, e impediu que a sobrinha de um primo dele, a professora Sarita D’Ávila Mello, militante do PCB, fosse torturada.

Nesta segunda, 20, ao relatar esse episódio perante a Comissão Municipal da Verdade, na Câmara de Vereadores, Sarita disse que a presença do general no local, apontado como um dos principais centros de tortura de presos políticos no período da ditadura, seria mais uma prova de que o Alto Comando das Forças Armadas sabia das violações de direitos humanos cometidas por seus subordinados.

Ao mesmo tempo, porém, na avaliação dela, a ida do general ao DOI-Codi, para ver pessoalmente a sobrinha, atendendo ao pedido de seu primo, indica que ele não confiava totalmente no cumprimento de suas ordens. “Ele não confiava na máquina da repressão. Podia ter apenas dado uma ordem. Não precisava ir lá para ver uma menina de 23 anos.”

Sarita foi solta no dia 24 de outubro de 1975. No dia seguinte o jornalista Vladimir Herzog, também militante do PCB, foi morto no mesmo local. Passados pouco mais de dois meses, em 17 de janeiro de 1976, o mesmo grupo repressivo matou o operário Manoel Fiel Filho. No mesmo dia, o presidente Ernesto Geisel afastou Ednardo do comando do 2.º Exército. O general morreu em 1984.

Perus

A Comissão da Verdade de São Paulo ouviu nesta segunda, na Assembleia Legislativa, a procuradora Eugenia Augusta Gonzaga, do Ministério Público Federal. Ela criticou o descaso do governo em relação à identificação de vítimas da ditadura sepultadas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo. Segundo ela, faltam verbas e interesse. “O governo não se mexe”, afirmou. No mesmo encontro, o secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse que as dificuldades de identificação se devem em grande parte à ausência de grupos de antropologia e arqueologia forense. “É uma lacuna no Estado de Direito brasileiro”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.