A coalizão entre PT e PMDB “está no CTI” (Centro de Terapia Intensiva), afirmou nesta sexta-feira, 26, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Integrante da base aliada do governo, que comanda com mão de opositor, ele disse que o PT “se escondeu” na hora de votar a reforma política e voltou a defender que seu partido desembarque da coligação para apresentar candidatura própria ao Planalto em 2018.

continua após a publicidade

“A coalizão está no CTI. (…) Acho muito pouco provável que você consiga manter qualquer tipo de coalizão com o PT na próxima eleição”, disse Cunha em entrevista a jornalistas internacionais no Rio.

Para o deputado, é um problema o fato de o PMDB não apresentar candidato a presidente há 20 anos. “O PMDB tem que apresentar (candidato). Até porque o processo político tem que ser debatido na eleição. As nossas divergências têm que ser mostradas. Os nossos projetos, aquilo que a gente pensa do País, tem que ser do conhecimento da população”, afirmou.

Cunha evitou apontar algum possível candidato peemedebista à Presidência e desconversou sobre a possibilidade de assumir o posto. “No momento certo, o PMDB saberá buscar dentro dos seus quadros a construção de uma candidatura que tenha condições de disputar o processo político”, disse, enfatizando que hoje ocupa a Presidência da Câmara. “Quem fica refém de ambições futuras perde a condição do exercício pleno da atividade que se propõe a exercer. O meu compromisso é com o exercício da presidência da Câmara.”

continua após a publicidade

O parlamentar também criticou a posição do governo durante a votação da reforma política. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff, no primeiro pronunciamento após a reeleição, disse que a prioridade seria a reforma política, citando o plebiscito.

“E o que fizeram esses agentes que defenderam a reforma política? Se esconderam na hora de votar. Não vi uma palavra do governo ou da presidente sobre a reforma política votada”, questionou.

continua após a publicidade

O presidente da Câmara afirmou que o País vive uma “crise do presidencialismo” e que o PT “não tem condição de governar sozinho”. “Não temos o presidencialismo de coalizão, temos o presidencialismo de cooptação”, disse.

Apesar das críticas ao governo, o deputado voltou a refutar a abertura de processo de impeachment. Ele reconheceu não ser “unanimidade” entre os brasileiros, mas garantiu que é mais popular que Dilma, cuja avaliação como bom ou ótimo é a mais baixa desde o período Collor (início da década de 80), segundo o instituto de pesquisas Datafolha. “Meu índice de ótimo e bom é 70% maior do que o da presidente da República, então pelo menos ela está mais odiada que eu.”