A jornalista Cláudia Queiroz, mulher do presidente da Câmara dos Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB), compareceu no começo da noite desta segunda-feira para prestar esclarecimentos aos vereadores que integram a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Derosso a respeito das denúncias de que teria havido favorecimento em contratos de publicidade do legislativo municipal para empresa de sua propriedade. Os contratos chegariam a um total de R$ 34 milhões, sendo R$ 6 milhões para a empresa de Cláudia.

Ao iniciar seu depoimento, a jornalista disse estar na Câmara para “sanar dúvidas e acabar com muitos boatos que viraram fatos nos últimos meses”. Ela informou que foi funcionária comissionada da Câmara de fevereiro a abril de 2006, trabalhou nas comissões, e quando viu o edital de licitação de publicidade, resolveu participar e pediu exoneração do cargo. “Não tinha conhecimento em termos de legislação se poderia participar. Na assinatura, não era funcionária”, disse. “Irregular, no meu ponto de vista seria assinar contrato sendo funcionária”.

A jornalista disse que soube da licitação pelo edital publicado no jornal Diário Popular e declarou que sua empresa cumpriu todo o edital, todos os contratos, é empresa idônea, com comprovação de débitos e comprovação de serviços feitas mensalmente. “Minha empresa administrou R$ 5,1 milhões ao longo de cinco anos e recebeu um percentual disso para administrar essa verba, que não foi para mim, não está na minha conta”. Ela disse que administrava R$ 85 mil por mês, sendo que a empresa ficava com cerca de R$ 10 mil por mês. 

Cláudia disse que alterou o contrato social da empresa, incluindo publicidade e propaganda entre as atividades da agência no início de 2006, próxima à data da licitação, porque a empresa estava num momento muito bom, crescendo bastante. Ela confirmou haver amizade e parceria profissional informal entre sua empresa e a Visão Publicidade, o que, segundo a vereadora Professora Josete (PT) aumenta a suspeição sobre a licitação, uma vez que apenas as duas empresas participaram.

Sobre ter renovado os contratos por aditivos depois do envolvimento com Derosso, ela disse “que não houve nenhuma vantagem nos aditivos, nenhuma adição de valor, só prorrogação de tempo, por a empresa estar prestando um serviço de qualidade, e o departamento jurídico aprovou. Fui buscar orientação jurídica com o Cid Campêlo Filho sobre algum impedimento jurídico e, após um estudo, concluiu que por se tratar de prorrogação de contrato, não teria nenhum problema, só se fosse um novo contrato”.

Cláudia não quis responder qual sua situação civil em 2006, mas afirmou que não tinha relação com Derosso. Disse que conheceu o presidente da Câmara, como repórter, em 1999, mas só começou uma relação com ele em 2007. Ela confirmou que a sede da Oficina da Notícia é um imóvel pertencente a Derosso. “Alugo desde 2006 num contrato nosso, sem imobiliária”. 

Ao tomar um puxão de orelha da vereadora Nely Almeida (PSDB), que disse que ela deveria romper os contratos com a Câmara assim que iniciou um relacionamento com Derosso, Cláudia disse que não havia irregularidade alguma e disse que “fui usada, meu nome e minha empresa, para atingir politicamente o presidente João Cláudio Derosso”.

Requerimento

Ao final da sessão, os vereadores Pedro Paulo (PT) e Paulo Salamuni (PV) apresentaram requerimento pedindo que as gráficas utilizadas pelas agências Visão Publicidade e Oficina da Notícia para prestar os serviços à Câmara apresentem as notas fiscais do material utilizado, como papel e tinta, para a produção do material.