Cassação de Janene deve ser julgada em dezembro

Foto: Antônio Cruz/ABr
José Janene: deputado é acusado de ter recebido mais de R$ 4,1 milhões de Marcos Valério.

Brasília (Agência Brasil) – O plenário da Câmara dos Deputados poderá votar no dia 6 de dezembro parecer do Conselho de Ética que recomenda a cassação do deputado José Janene (PP-PR). Ele é o último parlamentar acusado de envolvimento no chamado ?valerioduto? a ser julgado. Janene é acusado de ter recebido mais de R$ 4,1 milhões de Marcos Valério, que seriam repassados a parlamentares em troca de apoio ao governo.

Em 2005, as comissões parlamentares mistas de inquérito (CPMIs) dos Correios e da Compra de Votos citaram 19 deputados como beneficiários de recursos do empresário Marcos Valério de Souza. Dentre os citados, quatro renunciaram ao mandato para fugir do processo de cassação: Carlos Rodrigues (PL-RJ), José Borba (PMDB-PR), Paulo Rocha (PT-PA) e Waldemar Costa Neto (PL-SP). Três foram cassados: Roberto Jefferson (PTB-RJ), José Dirceu (PT-SP) e Pedro Corrêa (PP-PE).

Os outros 11 foram absolvidos no plenário da Câmara: Vadão Gomes (PP-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), João Magno (PT-MG), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Wanderval Santos (PL-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Sandro Mabel (PL-GO).

Após as investigações de envolvimento de parlamentares no ?valerioduto?, os conselheiros estão debruçados sob processos contra deputados acusados de participar do esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do Orçamento. Esta semana serão ouvidos: na terça-feira, o deputado Cabo Júlio (PMDB-MG), na quarta-feira, o deputado Érico Ribeiro (PP-RS) e na quinta-feira, os deputados Maurício Rabelo (PL-TO) e Pedro Henry (PP-MT).

O Conselho de Ética analisa processos contra 67 deputados. Os nomes foram enviados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas. Desses, cinco se reelegeram e poderão ter o processo levado para a próxima legislatura, que são João Magalhães (PMDB-MG), Marcondes Gadelha (PSB-PB), Pedro Henry (PP-MT), Wellington Fagundes (PL-MT) e Wellington Roberto (PL-PB). Os outros que não forem julgados terão os processos arquivados e não correrão o risco de perder o mandato e direitos políticos.

Nem todos os suspeitos têm envolvimento comprovado no esquema. É o caso da deputa Celcita Pinheiro (PFL-MT). Ela foi ouvida semana passada pelo colegiado e a relatora do processo, deputada Ann Pontes (PMDB-PA), adiantou na ocasião que está convencida da inocência da parlamentar.

Suassuna

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado marcou reunião para votar hoje o relatório do senador Jefferson Péres (PDT-AM), que recomenda a cassação do senador Ney Suassuna (PMDB-PB). A votação está marcada para a tarde. Suassuna foi investigado por envolvimento no esquema de compra superfaturada de ambulâncias com recursos do orçamento. O relator admitiu não haver provas de que o senador paraibano tenha recebido propina, mas questionou-o sob o aspecto ético.

Um dos fatos mais relevantes, segundo Péres, seria o fato de uma ex-funcionária ter assinado em seu nome um pedido de liberação de recursos. Na última eleição, Suassuna não foi reeleito.

Voltar ao topo