São Paulo, 16/04/2015 – O ex-ministro Gilberto Carvalho repetiu a defesa de João Vaccari que havia feito a jornalistas durante debate feito na capital paulista com representantes de sindicatos e movimentos sociais. Carvalho disse que não se resolve o cenário atual com individualização da responsabilidade e citou como um erro coletivo o PT não ter aproveitado a conjuntura favorável no segundo mandato do ex-presidente Lula para levar adiante a discussão sobre reforma política.

“Não é com moralismo que nós vamos mudar essa questão e muito menos com a individualização de um problema que é coletivo. Por que nós, em 2007, 2008, em um momento privilegiado na correlação de forças, por que é que nós não encaramos a reforma política, não fizemos a luta contra o financiamento empresarial de campanha, quando tínhamos a maioria na Câmara dos Deputados? Por que não trabalhamos de maneira diferenciada toda a questão ética dentro do partido?”, questionou. Carvalho admitiu que foi uma falha coletiva em um momento que a militância foi “levada, tragada coletivamente por um conjunto de valores dominantes”.

Mais cedo, na entrada do evento, Carvalho havia dito não considerar justa a prisão de Vaccari, que se mostrou disponível para depoimentos à Justiça e à CPI no Congresso Nacional. Disse ainda que o tesoureiro apenas desempenhava uma função. “O Vaccari era um companheiro que tinha uma função, que era entrar em contato com as empresas para pedir recursos. Se não fosse ele, seria o Edinho, o Rui Falcão, eu, alguma outra pessoa”, afirmou.

Ele também havia criticado os correligionários que vinham pedindo o afastamento preventivo de Vaccari nas últimas semanas, lembrando que muitos deles haviam se beneficiado em suas campanhas das arrecadações “legítimas” coordenadas pelo tesoureiro.