A vinte e oito dias das eleições, a campanha eleitoral entra em nova fase. Os candidatos começam a fazer ajustes em suas estratégias de campanha para corrigir o que não funcionou e reforçar o que deu certo na captura dos votos.

Embolados na liderança, Angelo Vanhoni (PT) e Beto Richa (PSDB) tentam a ultrapassagem com armas diferentes. Vanhoni vai apostar no know-how da militância do seu partido, com a ajuda da base peemedebista, que também tem tradição de campanha de rua. Já o tucano recorre a algumas celebridades nacionais do partido e a trunfos locais para impulsionar o último mês da campanha.

Na briga pelo terceiro lugar, Osmar Bertoldi (PFL), Rubens Bueno (PPS) e Mauro Moraes(PL) também colocam o bloco na rua atrás dos eleitores indecisos e também dos volúveis. Bueno vai fazer mutirões de rua para dar mais visibilidade à campanha, Moraes promete verdadeiros arrastões na região Sul da cidade, onde concentra o seu maior patrimônio eleitoral. Bertoldi vai investir no corpo-a-corpo na periferia, com um contingente de cabos eleitorais que podem chegar a mais de mil visitadores domiciliares, e ainda potencializar a presença do prefeito Cássio Taniguchi nas atividades e no programa eleitoral.

Beto Richa traz a Curitiba os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Minas Gerais, Aécio Neves, para algumas atividades nos quinze dias finais da campanha. Segundo a assessoria do tucano, Alckmin vem no próximo dia 21 e Aécio chega no dia 27. Os dois já gravaram depoimentos de apoio ao candidato em Curitiba para ser exibido no horário eleitoral gratuito.

O Estado apurou também que a carta na manga dos tucanos no quesito cabos eleitorais de peso pode ser a participação do deputado federal Gustavo Fruet (PMDB), que após perder a convenção do seu partido para concorrer à prefeitura manteve distância dos palanques. A oficialização do seu apoio ao tucano está sendo negociada e é vista por alguns tucanos como “fator decisivo” da eleição.

O coordenador da campanha tucana, Fabiano Braga Cortes, esconde o jogo. Ele diz que pouca coisa será alterada na reta final. “Não se mexe em time que está ganhando”, esquivou-se. O coordenador tucano admite apenas que Beto vai apostar no chamado “corpo a corpo” com o eleitor e descartar os comícios. “Nós estamos fazendo grandes reuniões. São mais eficientes que comícios, que ano a ano vem tendo cada vez menos platéia e perde espaço para os programas de TV”, afirmou Braga Cortes.

Na campanha de Vanhoni, a velha militância petista está sendo convocada para ir atrás dos votos. De acordo com a assessoria do candidato, já é tradição a entrada da militância na campanha, na reta final. Mas para abrir vantagem sobre o tucano, a campanha petista-peemedebista decidiu adotar uma linha mais agressiva nos programas eleitorais. Conforme a assessoria, vai começar a comparação de propostas e de atuação com os adversários, no que já vem sendo chamado internamente de a estratégia do “bom confronto”.

Reforço no trabalho de rua

Rubens Bueno vai explorar mais o apoio do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, que terá participação ampliada nos programas de rádio e televisão. No dia 11, escolhido por ser o número do candidato, Bueno pretende tomar as ruas da cidade no que foi batizado de “Dia do Voluntariado na Campanha”. O coordenador da campanha, Helio Werbiski, disse que a força de Bueno está nas adesões espontâneas à candidatura. “Vamos chamar os amigos, os amigos dos amigos e vamos dar a arrancada final. Temos que fazer uma campanha dentro do nosso tamanho porque não dispomos de recursos para contratar cabos eleitorais”, disse. Werbiski afirmou que o partido não pode bancar o custo de um cabo eleitoral, estimado em R$ 40 diários por contratado.

Bueno vai trazer ainda o presidente nacional do partido, Roberto Freire, e o ator Stephan Nercessian, para atividades externas da campanha. Nercessian é candidato a vereador no Rio de Janeiro pelo PPS, mas vai ceder um dia para auxiliar Bueno em Curitiba.

PL

Também se ressentindo da falta de estrutura financeira, Moraes decidiu priorizar a conversa de porta em porta nos bairros da região Sul, onde construiu sua carreira política. O candidato do PL observa que são 436 mil eleitores, um terço do colégio eleitoral da cidade. “Vou fazer arrastões na região, que vão funcionar como disseminadores das minhas duas mais fortes bandeiras – o passe escolar gratuito e a luta contra a violência – para toda a cidade”, disse o candidato.

PFL

Joaquim dos Santos Filho, que divide a coordenação política da campanha pefelista com Marina Taniguchi, disse que a linha de trabalho de Bertoldi já foi reformulada há uma semana. “Vamos manter nossa campanha casa a casa, intensificar nossa presença na rua com muito material e aprofundar os trabalhos nas regiões onde as pesquisas internas nos apontam”, afirmou.

Bertoldi vai ainda “colar” na campanha dos candidatos a vereador, considerados vetores importantes da candidatura majoritária nesta fase. “Ou o Osmar ou a Silvana (candidata a vice-prefeita), um deles estará sempre nos eventos dos nossos vereadores. O nosso objetivo é conquistar quinze pontos em dez dias”, disse Santos Filho. (EC)

Interesse do eleitor cresce em Curitiba

Com a campanha avançando para a reta final, o eleitor já dá mostras de interesse em relação ao processo. Sua principal fonte de informação continua sendo o horário eleitoral gratuito, principalmente na televisão, onde ele toma conhecimento dos candidatos e suas propostas. Isto nas cidades que dispõem de estações geradoras, que não passam de vinte no Paraná. Na grande maioria, o que pesa é mesmo o comício e o corpo a corpo.

Com isto, o percentual de conhecimento dos candidatos subiu bastante, mesmo que não reflita nos oscilantes índices de indecisos. Em Curitiba, ele subiu de 15% para 19% nas últimas duas semanas. Além da margem de erro, pode pesar aí a quantidade de informações que o eleitor vem recebendo e que pode fazê-lo rever uma posição tomada inicialmente.

Na opinião de Bruno Lopes, do Instituto Experience Pesquisa e Consultoria, este ano o eleitor está buscando mais informações do que nas eleições anteriores, o que demonstra o amadurecimento da cidadania: “Estamos aprendendo a reivindicar nossos direitos e a conviver com os benefícios da democracia. Isso é visível não só nos processos eleitorais, mais até mesmo no crescimento das queixas registradas no Procon e outros órgãos de defesa do cidadão”, observa.

Pesquisas

Pesquisas qualitativas apontam que o eleitor continua recebendo brindes dos candidatos, mas, consciente de que o voto é secreto e o exercício de votar é livre, escolhe aquele que melhor preenche seus anseios: “Iludem-se os candidatos que apostam nas velhas práticas de distribuir presentes e outras benesses”, afirma o pesquisador, frisando que o interesse do eleitor está diretamente ligado ao volume de campanha.

“O que temos observado em Curitiba e outros grandes colégios eleitorais é que a comunicação dos candidatos com o eleitorado está concentrada no horário gratuito, com pouco movimento nas ruas. A campanha de rua é cara e, ao que tudo indica, os recursos disponíveis não estão tão fartos como em anos anteriores”. Ainda assim, ele acredita que nas últimas duas semanas o corpo a corpo se tornará mais visível, “e o eleitor, que segue o ritmo dos candidatos, vai participar mais intensamente dessa movimentação”. (Sandra Cantarin Pacheco)