Papagaio, Sabiá, Papai Noel, Giló, Grilo, Lentilha e Palhaço. Esses são alguns dos nomes que o eleitor de Curitiba irá encontrar nas urnas, no dia 5 de outubro, quando for escolher seu candidato a vereador.

Com menos recursos e espaço na mídia e uma concorrência contra mais de 800 adversários, a utilização de apelidos diferentes, e até bizarros, é a estratégia de alguns candidatos para serem lembrados na eleição.

Apelidos de infância, relacionados à profissão ou criados apenas para a campanha. Vale tudo se o objetivo for fixar o nome na cabeça do eleitor.

Apesar de a Câmara Municipal não ter, em seu quadro atual, muitos vereadores eleitos graças ao apelido, Mestre Déa (PRTB), Serginho do Posto (PSDB) e o suplente João do Suco (PSDB) devem parte de seus votos às alcunhas conquistadas no trabalho.

“O fato de adotar o apelido do dia-a-dia como nome político foi significativo para minha eleição, pois é assim que todos me conhecem e ficou bem mais fácil de ser lembrado que Sérgio Bueno”, disse Serginho do Posto.

“Hoje, para a reeleição, o nome diferente não é fundamental, pois tenho o trabalho de um mandato para ser avaliado pelo eleitor, mas agora até assino com Serginho do Posto”, comentou, afirmando que manteve a expressão como nome na urna nesta eleição.

João do Suco, que ficou conhecido pelo nome de sua lanchonete, também busca a reeleição mantendo o apelido. Já Mestre Déa, que adotou o nome da capoeira, não disputará novo mandato por conta de divergências internas em seu partido.

Mas o clã da capoeira terá outros candidatos com nomes diferentes na disputa deste ano. Entre eles, Mestre Pop, uma das apostas do PSC para esta eleição. “Cheguei em Curitiba pulando facas na praça Rui Barbosa. Com o dinheiro ganho na praça, montei minha primeira academia para dar aulas de capoeira e hoje tenho um projeto que ensina o esporte para mais de 600 crianças. Devo tudo à capoeira e por isso uso o apelido que ganhei nas rodas”, conta. “Não sei se o apelido ajuda ou atrapalha na eleição, mas é como eu sou conhecido, não tinha como usar outro nome”, disse.

Também da capoeira, o candidato Kunta Kintê (PMN) é candidato pela terceira vez. “O apelido é em alusão ao personagem negro, que não aceitou a escravidão e lutou para mudar a situação. Ganhei esse nome por conta da minha teimosia, e, se colocasse meu nome verdadeiro na urna (Carlos Roberto Alves), nem minha família votaria em mim. Só cobrador me chama pelo nome”, explicou.

Metalúrgico, funcionário da Bosch, e membro da diretoria da Força Sindical, Jorandir Ferreira (PPS) também disputa a eleição com nome que ganhou no trabalho. Seu nome na urna é Alicate. “Não sou político, sou metalúrgico, vou para as urnas com o nome que sou conhecido pelos meus colegas”, disse.

Já Alessandro Adelino Otto (PT) vai às urnas com nome criado para a eleição e em alusão à região onde vive: Alex Chapa Quente, escolhido junto com a comunidade Nossa Senhora da Luz, da Cidade Industrial.

“Lancei uma candidatura questionadora, para bater de frente. Uma candidatura chapa quente, como a comunidade daqui diz.” Alex disse que teve receio de adotar o nome, mas acha que fez a escolha certa. “O pessoal me alertou do risco de o eleitor mais conservador não querer votar em mim por causa do nome. Mas como sou cabeludo e vocalista de uma banda de metal pesado, eles já não iam votar mesmo”, ponderou.

O eleitor de Curitiba ainda verá nessa campanha os candidatos Piraquara (PSB), Sabiá (PT), Barquelei Hip Hop (PMN), Giló (PP), Mister Bim (PDT), Vermelho (PRB), Lentilha (PPS), Grillo (PDT), Papagaio (PP), Mary Help – Maria do Socorro (PSDB) e Palhacinho do Batel (PMDB), entre dezenas de outras alcunhas exóticas.