A briga pelo comando de Furnas, uma das estatais mais cobiçadas do setor elétrico, rompeu a trégua entre PMDB e PT na disputa por cargos do segundo escalão. Em resposta a um documento elaborado por funcionários de carreira que apontam o “declínio contínuo” de Furnas desde que a presidência foi entregue ao PMDB fluminense, o deputado peemedebista Eduardo Cunha (RJ) atacou hoje a “incompetência” de diretores ligados ao PT e afirmou que a estatal teria “mais prejuízos” se não fossem as “alterações bancadas pelo PMDB”.

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O documento intitulado ‘Furnas – preocupação dos seus trabalhadores’ atribui à “gestão Eduardo Cunha” uma série de desvios administrativos, a troca injustificada de antigos gerentes e aponta “o desrespeito às leis, estatutos e regulamentos que regem o mundo corporativo”. Segundo os funcionários, com exceção da Diretoria de Operação, “tudo passa pelo crivo do deputado”.

O relatório de pouco mais de duas páginas foi entregue ao petista Jorge Bittar, deputado licenciado e atual secretário municipal de Habitação do Rio. “Estou preocupado com a situação e encaminhei o que recebi ao ministro Luiz Sérgio (presidente do PT do Rio e titular da Secretaria de Relações Institucionais)”, disse Bittar, que nega qualquer motivação política na iniciativa de levar as denúncias ao governo. O teor do documento foi noticiado hoje pelo jornal O Globo.

“Setores do PT, não o PT como um todo, buscando tomar cargos dos aliados. Só não falam dos diretores deles e suas incompetências”, escreveu Eduardo Cunha em seu perfil no Twitter. O deputado atacou “setores que brigam pelas suas mamatas dentro de Furnas” e negou interferência na estatal.

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Briga

Embora petistas digam que vão respeitar a ordem da presidente Dilma Rousseff de não brigar em público com o PMDB, a intenção do PT é aproveitar o início do novo governo para tirar de Eduardo Cunha o controle sobre Furnas. A ingerência do PMDB fluminense começou em 2007, quando Cunha emplacou o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde na presidência da estatal. Doente, Conde foi substituído pelo funcionário Carlos Nadalutti Filho, com aval do deputado peemedebista.

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Em nota, Carlos Nadalutti lembrou que tem 30 anos de carreira em Furnas , negou irregularidades administrativas e disse que apenas o Diretor de Gestão é indicação política, do PT. “Pela primeira vez nos 53 anos de existência da empresa, cinco (diretores) são técnicos com larga experiência e com trajetórias destacadas em Furnas e no setor elétrico”, disse o presidente. Segundo Nadalutti, “as ilações políticas, as mentiras e leviandades distorcem os resultados positivos obtidos desde 2008 pela gestão técnica que está à frente da companhia – patrimônio dos brasileiros – e servem a interesses políticos de grupos que buscam o controle da empresa”.