O braço direito de José Dirceu – presos pela Operação Lava Jato, desde o dia 3 – Roberto Marques, conhecido como Bob, disse à Polícia Federal que trabalhou como assessor do ex-ministro de graça durante os finais de semana, no período em que ele ocupou cargo no governo Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2005.

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“Em 2003, Dirceu se tornou ministro da Casa Civil e convidou para que o assessora em São Paulo nas sextas-feiras e sábados, quando fosse necessário”, afirmou Bob, ouvido no dia 6 de agosto pelo delegado Márcio Adriano Anselmo, da equipe da Lava Jato.

Bob contou que não tinha vínculo com o Planalto. “Mas sim diretamente com Dirceu, e que não recebia nada pelo trabalho de assessoramento.”

Preso no dia 3 junto com Dirceu e seu irmão Luiz Eduardo Oliveira e Silva e o lobista Fernando de Moura – que seria um dos operadores de propina do ex-ministro da Petrobrás -, o braço direito disse que foi chamado “para o trabalho porque tinha grande proximidade”.

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“Antes disso prestou assessoramentos esporádicos a Dirceu durante campanhas eleitorais e em outras ocasiões, mas nunca teve um vínculo formal com Dirceu, nunca tenha sido lotado em nenhum gabinete ocupado por Dirceu.”

Valores mensais

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No mesmo depoimento, Bob afirmou que “por cerca de cinco meses”, em 2011, recebeu R$ 30 mil mensais em dinheiro vivo do ex-ministro-chefe da Casa Civil. Alegou que naquele ano “pediu ajuda financeira” a Dirceu, então réu do Mensalão, porque seus pais estavam com “problemas de saúde” e ele em dificuldades financeiras.

Preso na Operação Pixuleco, 17.º capítulo da Lava Jato, cujo alvo maior é o ex-ministro do governo Lula, Bob chegou a ter sua temporária renovada no dia 7 pelo o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, e depois foi liberado no dia 12. Dirceu foi preso preventivamente, quando a custódia é por tempo indeterminado.

Bob disse que retirava os R$ 30 mil mensais na JD Assessoria e Consultoria, criada pelo ex-ministro depois que ele foi cassado e perdeu a cadeira na Casa Civil do governo Lula, no rastro do Mensalão.

Bob é funcionário efetivo da Assembleia Legislativa de São Paulo, lotado no gabinete da 1.ª Secretaria, ocupada pelo deputado Enio Tatto (PT) – cuja empresa de contabilidade, em sociedade com a mulher, recebeu pagamentos da JD Assessoria que somaram R$ 1,1 milhão, entre 2009 e 2014.

O braço direito afirmou que há 29 anos, desde que trabalhou com Dirceu na bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, acabou se tornando bastante próximo do ex-ministro.

Em relato da PF, Bob admitiu. “Por cerca de cinco meses, o declarante retirou R$ 30 mil mensais no escritório da JD Consultoria na (Avenida) República do Líbano (zona Sul de São Paulo), conforme disponibilizado por Dirceu e por seu irmão Luiz Eduardo”, transcreveu a PF. “Que não se recorda se era apenas Luiz Eduardo quem lhe alcançava o dinheiro, mas que sempre que ia ao escritório perguntava se havia ‘algo’ para o declarante e, então, recebia o dinheiro.”

Bob disse que o dinheiro ‘era acondicionado em um envelope’. “A totalidade do dinheiro foi utilizada para custear os cuidados com seus pais, e que acredita possuir documentação comprobatória dos gastos”, declarou.