O candidato Guilherme Boulos (PSOL) informou nesta sexta-feira (27) que deu positivo o exame para Covid-19 que ele fez nesta semana. A equipe do candidato a prefeito de São Paulo disse que ele está sem sintomas e já iniciou um período de isolamento.

O debate da TV Globo entre ele e o candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), que estava marcado para a noite desta sexta-feira, foi cancelado.

A assessoria de Boulos disse propôs à emissora que o confronto seja feito de maneira virtual. No entanto, o apresentador Cesar Tralli, que mediaria o debate da TV Globo, informou em sua página no Twitter que o evento foi cancelado.

Boulos decidiu fazer o teste para a doença depois que a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), sua aliada, teve diagnóstico positivo. Ela participou de um evento com o candidato na sexta-feira passada (20), em São Paulo.

“No encontro, Boulos e Sâmia seguiram todas as medidas sanitárias recomendadas, como uso de máscaras e álcool em gel”, afirmou a assessoria.

Depois da confirmação da contaminação da deputada, Boulos decidiu suspender a agenda de atos de rua da campanha no segundo turno. Ele manteve nos últimos dias apenas encontros menores e deu preferência a locais abertos.

“Diante do resultado positivo, Guilherme Boulos irá cumprir o protocolo de quarentena pelo período necessário. Toda a equipe que trabalha na campanha e que tem contato próximo com o candidato será testado a partir de agora”, informou a campanha.

Na nota, o candidato disse ainda que reforça sua preocupação sobre “os indícios de uma segunda onda da pandemia “até aqui negligenciada pelos governos estadual e municipal, responsáveis pela aplicação das medidas”.

“A campanha seguirá atuante nesta reta final para apresentar o projeto de mudança que São Paulo precisa e fazer a esperança que a gente vê nas ruas desaguar numa vitória no próximo domingo”, afirmou.

O prefeito Bruno Covas lamentou o episódio. Ele já teve a doença, em junho deste ano, quando a cidade estava em um de seus piores momentos da pandemia. O candidato, que enfrenta um câncer, foi diagnosticado após um exame de rotina, mas também não teve sintomas e continuou trabalhando de casa.

A ciência ainda não sabe quanto tempo dura uma suposta imunidade após a infecção e a recuperação, uma vez que já houve uma série de casos de reinfecção de pessoas que se recuperaram.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Boulos pediu a apoiadores que assumam a campanha em defesa da candidatura nesta reta final.

“Eu não vou poder estar nas ruas nos próximos dois dias, na reta final da nossa virada nestas eleições. A gente está acostumado a ter dificuldade e a superá-las. Vai ser assim mais uma vez. Mais do que nunca, agora é a hora que a nossa campanha vai precisar de todos vocês”, afirmou.

“Mais do que nunca, agora a gente vai precisar de você. Eu não vou poder estar na rua para virar voto nos próximos dias, mas eu sei que milhares de pessoas vão fazer isso no meu lugar”, disse na gravação.

A assessoria da candidata a vice, Luiza Erundina (PSOL), disse que ela não teve contato com Boulos ou com integrantes da equipe direta do candidato. A deputada federal, de 85 anos, ficou distante da campanha de rua por ser parte do grupo de risco da enfermidade.

Uma carreata com os dois integrantes da chapa que estava prevista para este sábado (28) está mantida, de acordo com a assessoria de Erundina, mas será realizada só com a candidata a vice.

Para se proteger, a deputada tem usado uma caminhonete adaptada para ela, com uma cabine de acrílico, de onde ela fala ao microfone e acena a apoiadores. O veículo é chamado por integrantes da campanha de “Erundinamóvel” (em alusão ao papamóvel) ou “cata-voto”.

Diante do imprevisto na reta final do segundo turno, a campanha de Boulos faz planos para manter a mobilização na rua mesmo sem o candidato. A falta do debate e de um ato de encerramento da campanha no sábado são um revés para o PSOL, que busca conquistar eleitores de Covas para superar a vantagem de oito pontos do tucano no Datafolha.

A equipe de Boulos vinha dando grande peso ao debate da Rede Globo por ser o de maior audiência. A ideia era explorar, no evento, as acusações contra o candidato a vice de Covas, Ricardo Nunes (MDB), e expor falhas da gestão Covas na prefeitura.

Embora eleitores de Boulos tenham iniciado pressão nas redes sociais para que a Rede Globo mantenha o debate de forma virtual, as regras sobre o encontro, assinadas por ambas as campanhas, preveem que o debate seria cancelado em caso de problema de saúde de um dos postulantes.

“Seguindo as regras acordadas com os partidos, que preveem o cancelamento do debate em caso de problemas de saúde de um dos participantes, a TV Globo cancelou o evento entre candidatos à Prefeitura de São Paulo, que seria realizado hoje à noite, após Guilherme Boulos (PSOL) ter comunicado que testou positivo para Covid-19”, diz a emissora em nota.

AGLOMERAÇÃO

Durante a campanha, os dois candidatos promoveram agendas que ignoraram o distanciamento social e outras medidas de controle da pandemia, com exceção do uso de máscaras, mesmo diante do aumento de internações por Covid-19 na cidade nos últimos dias.

Com frequência, houve cenas de aglomeração, empurra-empurra e também apelos das equipes dos candidatos por distanciamento, além de distribuição de álcool em gel.

Ao longo da corrida eleitoral, os dois foram questionados sobre as aglomerações em eventos.

Ambos ressaltavam a importância de não ignorar a pandemia, mas afirmavam que as agendas seguiam “todos os cuidados necessários”.

“Tem equipe com álcool em gel, orientando o distanciamento”, disse Boulos após uma caminhada pelo centro da capital no último dia 20.

Em um evento na zona sul no último dia 18, Covas afirmou que “não é porque é campanha que o vírus acabou. Evitando aglomeração, evitando ao máximo, mas é difícil também segurar o apoio das pessoas que querem vir ajudar”.

No plano sanitário que define os protocolos para o dia da votação, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reuniu recomendações para as campanhas em meio à pandemia.

Estão entre as sugestões orientar o uso correto de máscara para os participantes, optar por espaços amplos e abertos quando em contato com outras pessoas e evitar aglomerações e distribuição de material impresso.

Em São Paulo, o uso de máscaras é obrigatório e pessoas físicas que estiverem sem o item podem ser multadas no valor de R$ 524.

O Ministério Público de São Paulo também explica que as regras sanitárias devem prevalecer às eleitorais em razão da pandemia de coronavírus e que os partidos receberam recomendações para seguirem as regras de distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel.