O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, acusou ontem o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho (PDT), de votar contra a cidade no Conselho de Autoridade Portuária dos Portos de Paranaguá e Antonina, ao dar parecer contário à localização do terminal público de fertilizantes no Porto de Paranaguá, cuja construção foi discutida na última quarta-feira pelo conselho. Botto de Lacerda afirmou que o prefeito faz "jogo de cena" ao defender publicamente o terminal, mas ao mesmo tempo se posicionar contra o projeto apresentado na reunião.

Na proposta original, o terminal será construído perto do terminal dos contêineres, mas o procurador que presidiu a reunião do CAP acha que não é o lugar ideal por estar no final do cais do porto, o que dificultaria e carga e descarga dos fertilizantes. "Irresponsavelmente, o prefeito votou contra o terminal. Era apenas um pleito de mudança do local. Com base no voto dele irá se inviabilizar o terminal", disse o procurador, acrescentando que o processo de decisão ainda não se esgotou, mas a posição do prefeito como representante do poder público tem peso de veto.

O procurador disse que o prefeito de Paranaguá reclama por integração entre o porto, a cidade e o estado, mas que é o primeiro a criar dificuldades para impedir a cooperação. "O governo do Estado faz de tudo para integrar a administração do porto com o município. Foram R$ 63 milhões investidos em Paranaguá. Mas ele faz de tudo para impedir a integração", acusou o procurador.

Conforme Botto de Lacerda, a construção do terminal está prevista no Plano de Desenvolvimento e Zoneamento dos Portos Organizados. Para o Botto de Lacerda, um terminal específico para a operação com fertilizantes provocará um aumento das importações do produto via Porto de Paranaguá. E pelo seu caráter público, irá eliminar qualquer tentativa de monopólio privado na área, assinalou.

O Estado procurou ontem o prefeito de Paranaguá para registrar sua versão sobre a votação do projeto de construção do terminal público, mas seu gabinete informou que ele estava em viagem a Guaraqueçaba e não havia como fazer contato com o pedetista ou com sua assessoria.