Brasília – O senador Jorge Bornhausen recebeu ontem em um encontro reservado o candidato a prefeito de Curitiba pelo PFL, Osmar Bertoldi. “Ele tem o perfil para liderar a resistência curitibana ao modelo petista de governar as capitais, porque é uma pessoa preparada e que sabe identificar a cidade bairro por bairro”, afirmou Bornhausen, que tem atuado como incentivador da candidatura própria do partido na capital.

A posição do senador reforça ainda mais a possibilidade uma ruptura entre o PFL e o PSDB nas eleições municipais de outubro, em Curitiba.

No encontro, Bertoldi e Bornhausen conversaram sobre a participação da executiva nacional do PFL na campanha de Curitiba. “Essa participação começou anteontem, com a realização desse seminário, e continuará com o envolvimento direto das lideranças nacionais e técnicos do partido na eleição municipal da nossa capital”, avaliou Bertoldi.

Segundo o presidente nacional do PFL, Curitiba é um exemplo positivo de âmbito mundial e deve continuar sendo governada com competência e planejamento. “Curitiba já é a capital social, tendo inclusive muitos programas copiados pelo governo federal e prefeituras petistas”, afirmou. Bornhausen acrescentou ainda que a candidatura de Bertoldi à prefeitura era uma questão de tempo.

Outras lideranças nacionais do PFL também apoiaram a candidatura de Osmar Bertoldi a prefeito de Curitiba. O candidato manteve encontros com o senador Romeu Tuma, o ex-ministro Gustavo Krause e os deputados federais José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Roberto Brandt (PFL-MG).

Críticas

A declaração de apoio de Bornhausen a Bertoldi foi feita um dia depois de o presidente nacional do PFL ter aproveitado o seminário com seus candidatos a prefeito para dar o tom da campanha eleitoral deste ano e afirmado que a ordem é levar o caso Waldomiro Diniz e problemas do governo Lula para os palanques. Bornhausen disse que os candidatos do partido devem agir como arautos e espalhar nas ruas a mensagem da oposição. Usando um tom duro e de cobrança enfática de realização de uma investigação pelo Congresso do caso Waldomiro, o pefelista disse ainda que o governo e o PT traíram o que afirmavam e desperdiçaram o primeiro ano de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Oposição voltará ao poder”

Brasília (AG) – O prefeito do Rio, César Maia, afirmou ontem que o escândalo Waldomiro Diniz, além de afetar o governo Lula, também modificou a correlação de forças nos partidos de oposição, com a volta da perspectiva de poder em 2006 para o PFL e o PSDB. Segundo Maia, o primeiro efeito desta mudança poderá ser a reeleição do deputado José Carlos Aleluia (PFL) à liderança do partido na Câmara.

O grupo fiel ao senador baiano Antônio Carlos Magalhães trabalhava pela escolha de um líder que não tivesse uma postura tão radical de oposição ao governo Lula, como a liderança de Aleluia. Para o prefeito César Maia, o escândalo e a perspectiva de que não é mais uma coisa líquida e certa a reeleição de Lula deu novo ânimo aos oposicionistas do PFL.

“O Fator W muda a perspectiva eleitoral para tucanos e pefelistas. Parte do PFL trabalhava de forma pragmática, apoiando o governo pontualmente, como forma de sobrevivência política nos próximos sete anos. O Fator W desestabiliza as idéias sobre 2006 e já mexe com a liderança na Câmara” afirma o prefeito.

Segundo César Maia, vários deputados que antes estavam em dúvida sobre a recondução de Aleluia, agora entendem que o melhor para o partido é a opção por um líder de oposição. O prefeito afirmou ainda que o escândalo Waldomiro unificou o diagnóstico no PFL sobre o governo Lula: a incapacidade para gerir crises. O diagnóstico é igual, mas as soluções são diferentes. Essa seria a razão de o PFL estar dividido em relaçào à realização de uma comissão parlamentar de inquérito para o caso Waldomiro.