Várias perguntas ficaram sem respostas na primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo, na Câmara de Curitiba. Isso porque a manifestante do Movimento Passe Livre (MPL), Luana Cristiane Martins, jogou um bolo no rosto do gestor de operações de transporte coletivo da Urbs, Luís Filla, enquanto respondia aos questionamentos dos vereadores. A moça, que na semana passada tirou a roupa na manifestação em frente ao Legislativo, foi retirada por seguranças. A reunião foi suspensa e remarcada para quinta-feira (18), às 14h.
De acordo com o presidente da CPI, vereador Jorge Bernardi (PDT), por causa do episódio a segurança da Câmara será reforçada e todos, incluindo vereadores, passarão por revistas. “Da mesma forma que hoje (ontem) foi um bolo, poderia ter sido uma arma”. Enquanto o movimento demonstrou ser contra a CPI, integrantes da Frente de Luta pelo Transporte querem a investigação. Logo no início da reunião foi lida a carta do movimento com reivindicações como passe livre, revogação do aumento da tarifa e congelamento em R$ 2,60, volta da domingueira a R$ 1, abertura da “caixa-preta” da Urbs e fim dos privilégios dos empresários do transporte.
Não convence
Antes da confusão, foi aprovado requerimento para visita técnica às empresas de transporte coletivo urbano para verificar a situação tributária. Filla explicou como ocorreu a licitação para escolha das empresas da Rede Integrada de Transporte (RIT). Um dos pontos mais contestados pelos vereadores foi a compra, pela Urbs, de 546 carrocerias da empresa Neobus, no primeiro ano após a concorrência, para renovar os veículos do eixo leste-oeste. Segundo Filla, isso aconteceu por causa do represamento das compras antes da licitação. Para Bernardi, a questão não está bem explicada. “Há indícios de superfaturamento na aquisição dessas carrocerias, compradas de uma única empresa do Rio Grande do Sul. O valor do ônibus interfere no valor da tarifa”, comentou.
Urbs repudia agressão
O representante do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), Antônio José Veloso, iria abordar a planilha de custos. O presidente do Setransp, Dante Gulin, que também acompanhava a reunião, lamentou a confusão. “Estamos preocupados com essas manifestações e queremos esclarecer”, assegurou.
Em nota, a Urbs repudiou “a agressão física e moral à qual seu funcionário foi submetido”. E reforçou as ações tomadas para garantir transparência e diálogo, como audiência pública sobre reajuste tarifário, comissão para análise da tarifa, auditoria com participação da sociedade, além de apoiar a CPI do Transporte Público e a auditoria do Tribunal de Contas (TCE).


