O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chega amanhã a Brasília com a incumbência de tentar reorganizar as relações entre a Casa Branca e o governo brasileiro, estremecidas desde a revelação, no ano passado, que a National Security Agency (NAS) espionou empresas e cidadãos no País, incluindo a própria presidente Dilma Rousseff. O vice-presidente americano, já classificado pela presidente como “um sedutor”, pretende mostrar ao governo brasileiro que sim, os Estados Unidos tomaram medidas para frear a ação da NSA e vão parar de espionar seus aliados.

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Dificilmente, no entanto, trará as desculpas públicas que a presidente gostaria de ouvir. Ainda assim, é provável que o governo brasileiro, depois de ter obtido sucesso em uma série de medidas internacionais sobre privacidade na rede – inclusive apoio internacional para mudanças na governança da internet – decida retomar a “relação em alto nível” entre os dois países já que, afora os dois presidentes, a relação continua. Até porque, como avalia o Itamaraty, é muito difícil não ter relações com o segundo maior parceiro comercial do País. Nos primeiros quatro meses deste ano, 12% do comércio exterior brasileiro foi com os Estados Unidos. As exportações cresceram 16,5%, chegando a US$ 8 bilhões. No programa Ciência Sem Fronteiras, menina dos olhos da presidente, as universidades americanas são o principal destino dos brasileiros, com 22 mil estudantes.

Em todas as oportunidades que teve, o governo americano deixou claro que a vinda do vice-presidente deve ser considerada como mais uma tentativa de reaproximação, uma retomada da “relação estratégica” entre Brasil e Estados Unidos. Biden sempre foi uma das referências no contato diplomático entre os dois países. Esteve no Brasil em maio de 2013 e, em setembro, foi o responsável por telefonar para Dilma e tentar explicar a espionagem, além de ouvir diretamente as reclamações da presidente.

Tour

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Em março deste ano, os dois se encontraram novamente na posse da presidente do Chile, Michele Bachelet. Em uma conferência por telefone para apresentar a visita, oficiais do Departamento de Estado deixaram claro que, do tour de Biden pela América Latina – o presidente ainda vai a República Dominicana e Nicarágua – a viagem mais importante politicamente é ao Brasil, tratado como o parceiro estratégico com que os Estados Unidos precisa retomar os contatos de alto nível.

Dificilmente, no entanto, Biden deverá sair de Brasília com uma data para a visita de Estado cancelada por Dilma em setembro passado, quando descobriu a espionagem. Não por falta de vontade da presidente. Em ano eleitoral, o governo americano evita receber presidentes candidatos à reeleição. Mas, mesmo que uma exceção fosse feita, envolvida em um processo eleitoral complicado, Dilma não pretende nem mesmo ir à abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Se for reeleita, a viagem poderá ficar para 2015. O vice-presidente será recebido pela manhã no Palácio do Jaburu pelo vice-presidente Michel Temer. De lá, os dois vão para o Palácio do Planalto, onde Biden terá uma audiência com Dilma. Depois disso, haverá uma declaração à imprensa dos dois vice-presidentes.

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