O juiz Friedmann Anderson Wendpap, da 1ª Vara Federal de Curitiba, determinou o bloqueio de bens no valor de R$ 19,96 milhões do ex-governador Beto Richa (PSDB) e de outras 16 pessoas e duas empresas em processo que apura irregularidades no sistema de pedágio no Paraná.

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A decisão foi dada na tramitação da ação civil pública por improbidade administrativa, ajuizada pelo Ministério Público Federal, em relação ao que foi apurado na Operação Integração, uma das fases da Lava Jato, relacionada à concessionária Econorte. A investigação indica que propinas foram pagas em troca de aditivos contratuais, que aumentaram a tarifa e/ou reduziram a obrigação de fazer obras.

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Pelo menos outras três vezes, no último ano, decisões judiciais determinaram o indisponibilidade de bens do ex-governador, juntamente com outros réus, sem estabelecer quanto seria bloqueado de cada um. A mais recente foi em agosto, no âmbito da Operação Piloto, no total de R$ 20 milhões. Em outubro, na Operação Quadro Negro, o valor foi de R$ 300 milhões e, em novembro, foram outros R$ 20 milhões, em ação que apura gastos irregulares de propaganda.

Outro lado

Via assessoria, Richa negou qualquer irregularidade. “O ex-Governador Carlos Alberto Richa novamente esclarece que jamais se envolveu em qualquer ato de corrupção, seja em relação ao pedágio, seja em relação a qualquer outro tema. Na condição de Governador, sua participação se limitou aprovar atos cuja legalidade fora atestada pelo Estado do Paraná, pelo DER/PR, pela AGEPAR, sob fiscalização do Governo Federal. Todas as alterações realizadas, inclusive, foram avaliadas pela Procuradoria do Estado, que agora questiona esses atos. A tentativa de vincular o ex-Governador a supostos atos de corrupção se ampara exclusivamente na palavra de réus confessos, que receberam diversos benefícios para envolver seu nome nos supostos atos de corrupção em suas delações premiadas. Fora disso, não há prova alguma das alegações lançadas. Ao fim a verdade prevalecerá”, diz a nota.

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Luiz Abi Antoun também teve o bloqueio de bens determinado pela Justiça. O advogado dele, Anderson Mariano, afirmou que confia na Justiça e que seu cliente vai comprovar a inocência.

A Econorte comunicou em nota que não consta qualquer ordem contra a empresa, pois a Ação de Improbidade Administração movida pelo Estado do Paraná foi extinta em relação à concessionária em decisão anterior.

A Gazeta do Povo está buscando contato com as defesas das outras pessoas citadas na decisão judicial. O espaço segue aberto para os posicionamentos.

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