Em evento organizado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, fez nesta segunda-feira uma sinalização positiva para uma pauta cara aos prefeitos: o projeto de lei que altera os indexadores das dívidas de Estados e municípios.

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A FNP pede que o projeto, já aprovado pelo Congresso, seja sancionado em sua integralidade pela Presidência. Já entre o governo, há fontes que dizem que pode ser vetado o substitutivo que permitiria os novos mecanismos retroagirem, ou seja, valerem para o saldo devedor dos entes federados, causando dezenas de bilhões de impacto adicional para o Tesouro. “O projeto foi construído após um longo diálogo, então existe essa possibilidade (de aprovar o PL na íntegra). A palavra final evidentemente é da presidenta após se apossar dos pareceres de todos os ministérios envolvidos”, disse Berzoini. “Acho que nós temos tudo para fazer esse grande movimento que favorece Estados e municípios, que têm esse problema, o indexador que se distanciou da realidade”, completou.

Perguntado sobre o impacto da retroatividade da lei para a União, o ministro minimizou a questão. “O impacto é mais patrimonial do que de fluxo financeiro, ou seja, um impacto mais para a contabilidade pública do que para o caixa do governo. Mas, de qualquer maneira, o governo vai examinar com muita atenção porque o governo quer fortalecer essa relação federativa entre União, Estados e municípios.”

Relação com o Congresso

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O ministro, que faz a interlocução com o Congresso Nacional, minimizou o fato de o governo de Dilma Rousseff ter sofrido derrotas no parlamento logo após a eleição, com a queda por exemplo do decreto que regulamentava os conselhos populares. Berzoini admitiu, no entanto, que o governo se esforça para melhorar o processo de diálogo “com cada bancada e com cada partido”. “O governo não trabalha com a lógica de derrota ou vitória, são poderes independentes. As vezes, quando o governo ganha, ele também não quer se declarar vencedor, ele quer simplesmente afirmar que aquela política teve maioria no parlamento”, argumentou.

Berzoini relativizou a acusação da oposição que chama as medidas impopulares pós eleições, de aumento de juros e de preços dos combustíveis, de “estelionato eleitoral”. Ele disse que cabe à oposição fazer esse “jogo de palavras”. “O governo age como sempre agiu, com responsabilidade, tomando as decisões que precisa tomar. Para nós, o importante é continuar governando o Brasil para manter o emprego e o crescimento da renda dos assalariados”, afirmou.

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Petrobras

Berzoini afirmou também que uma nova CPI da Petrobras no Congresso, que vem sendo articulada pela oposição, será tratada como sempre foi pelo governo. Contudo, advertiu que é preciso evitar que se transforme num palanque político-eleitoral. “A eleição já passou e teremos outras pela frente.”

O ministro disse também que é preciso evitar qualquer tipo de distorção nas investigações. “É importante uma investigação criteriosa.” E disse que o governo tem interesse que tudo se esclareça para que se supere qualquer imagem negativa com relação à estatal.