| Foto: Agência Brasil |
| Bernardo: defensor da política econômica e eventual substituto de Palocci se o ministro for para a campanha de Lula. continua após a publicidade |
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, está cotado para assumir o Ministério da Fazenda, o posto mais poderoso do primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A indicação do ministro paranaense vem sendo ventilada desde ontem, devido à possibilidade de o atual ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ser convocado por Lula para ser o coordenador de sua campanha à reeleição, a exemplo de 2002.
Petistas paranaenses confirmam que o presidente já pediu a Bernardo que desista de sua candidatura a deputado federal. O ministro é um dos nomes para a Câmara Federal, que constam de uma pré-lista que vem sendo feita pelo diretório estadual. Informalmente, o ministro já comunicou à executiva estadual que pode retirar o nome da lista se for convocado pelo presidente a permanecer no ministério.
Se o ministro sair da lista, cria um problema para o PT estadual. O diretório ainda está procurando nomes fortes para compor a chapa à Câmara Federal e Bernardo era um dos potenciais puxadores de votos. No momento, a executiva tem dezessete nomes de pré-candidatos a deputado federal. Entre eles estão os atuais deputados federais do partido e outros, como o deputado estadual Ângelo Vanhoni e o ex-prefeito de Paranaguá Carlos Tortato, que dão sustentação à chapa formada por vários nomes novos.
A assessoria do ministro informou, entretanto, que Bernardo ainda não conversou com Lula e mantém seu projeto de ser candidato a deputado federal. Mas, conforme a assessoria, tudo depende do encontro com Lula. Quanto às especulações sobre o Ministério da Fazenda, a assessoria do ministro disse que ele é um defensor da permanência de Palocci na Fazenda.
Afinado
Bernardo é um dos defensores mais apaixonados da política econômica do governo Lula, bombardeada por vários grupos no partido. O ministro já ficou conhecido pelos relatórios dos resultados econômicos que apresenta em todas as suas intervenções nos encontros municipais e estaduais do partido. Ele assumiu o ministério em março do ano passado, no lugar de Guido Mantega, que comanda o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Antes de ser ministro, Bernardo exercia a presidência da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional. No início do governo Lula, em 2003, Bernardo foi um dos nomes cotados para assumir a presidência do Banco do Brasil. Ele é funcionário de carreira da instituição, mas teria tido a indicação frustrada pela falta de um diploma de curso superior.
Antes de 2002, quando voltou à Câmara Federal, Bernardo teve duas experiências no Executivo. Foi secretário da Fazenda do governo de Mato Grosso do Sul e, quando Nedson Micheletti (PT) chegou à Prefeitura de Londrina, em 2000, Bernardo assumiu a Secretaria da Fazenda.
A ida de Palocci para o grupo que vai cuidar da campanha de Lula não é certa. Mas se o ministro for para a campanha, crescem as chances de Bernardo substitui-lo, já que o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, que seria o nome natural para comandar o ministério, foi secretário do Tesouro Nacional, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No momento em que o presidente precisa unificar o partido, não iria provocar seus correligionários nomeando para o ministério um ex-colaborador tucano.