O ministro das comunicações, Paulo Bernardo, reafirmou nesta segunda-feira em Curitiba que o governo gostaria de ver um tablet com preço de até 500 reais no País. Em entrevista à rádio Bandnews FM, o ministro disse que espera viabilizar este projeto em no máximo um ano e meio.

A popularização do tablet seria uma ferramenta importante para a inclusão digital e para o ensino. O tablet de 500 reais é possível, mas a notícia triste é que não deverá ser um iPad. Com incentivos fiscais adequados, um modelo simples com o sistema Android pode chegar às lojas por esse preço. Resta saber se as limitações desse tablet popular não seriam uma fonte de frustrações para o consumidor.

O projeto do tablet de 500 reais depende de incentivos fiscais. Os aparelhos montados no Brasil deverão ter isenção de PIS e Cofins, dois encargos que, juntos, acrescentam 9,25% ao preço do produto. Além disso, é provável que recebam o mesmo tratamento tributário dado aos computadores.

Nesse caso, o fabricante terá redução no IPI em troca do uso de componentes nacionais e da montagem local. Incentivos estaduais podem aliviar o ICMS; e os municípios podem fazer sua parte dando isenções de impostos sobre imóveis industriais.

Dependendo de quais incentivos se incluam na conta, chega-se a uma redução de custo entre 30% e 40%. Um cálculo divulgado por órgãos do governo aponta para um decréscimo de 31%.

Naturalmente, o fabricante pode repassar a redução para o preço final ou aumentar sua margem de lucro. Mas a concorrência deve beneficiar o consumidor, forçando os preços para baixo.

Resta saber que tipo de tablet pode ser fabricado por 500 reais. Não será um iPad e nem um dos tablets com Android da geração mais recente. Esses tablets têm preço similar ao do iPad, que virou referência para os fabricantes.

No mercado americano, onde esses aparelhos são mais baratos, as versões mais simples custam por volta de 500 dólares, quase 800 reais.

Negócio da China

A saída pode ser buscar na Ásia um tablet de 500 reais. Há aparelhos chineses sem marca conhecida que são vendidos em lojas na web por preços que começam em pouco mais de 100 dólares. Os mais baratos têm tela de 7 polegadas, usam tecnologia ultrapassada e são pobres em recursos, além de ter qualidade construtiva questionável.

Variantes mais recentes desses tablets, com tela de 8 ou 10 polegadas, podem ser encontradas por preços inferiores a 200 dólares (cerca de 320 reais). Em geral, esses aparelhos têm tela resistiva, de baixa sensibilidade, o que torna seu uso incômodo (tablets como o iPad usam tela capacitiva, bastante mais sensível).

Os tablets chineses também são um tanto lentos, e a qualidade visual das imagens que exibem é inferior à dos modelos de fabricantes prestigiados. Assim, embora, na teoria, um aparelho desse tipo possa custar 500 reais no Brasil, suas limitações poderão ser uma fonte de frustrações para os usuários.